Arquivo da categoria ‘Bebel Gilberto’

Bebel Gilberto e Sergio Mendes foram indicados na quarta-feira para concorrer ao Grammy de melhor álbum de world music.

Bebel disputa pelo trabalho “All in One”, enquanto Mendes por “Bom Tempo”.
Os dois vão concorrer com Bela Fleck (“Throw Down Your Heart , Africa Sessions Part 2: Unreleased Tracks”), Angelique Kidjo (“ÕÖ”) e Chandrika Krishnamurthy Tandon (“Om Namo Narayanaya: Soul Call”).

A entrega dos prêmios acontece em 13 de fevereiro, em Los Angeles.

Anúncios

A cantora Bebel Gilberto posa para foto de divulgação do disco “Momento”.
Bebel Gilberto é conhecida por interpretar canções de jazz e bossa nova, mas agora a cantora usa a voz de outras maneiras.

Bebel recentemente narrou um audiolivro infantil e deu voz a uma personagem de desenho animado.

“Este foi o ano da locução”, disse a cantora em entrevista à AP.

A cantora de 44 anos é um dos nomes cujas vozes participam do livro “Swing Cafe”, lançado em setembro. Escrito por Carl Norac, o livro conta a história de zack, uma cigarra brasileira que sonha em cantar em Nova York.

“Quando fui convidada…eu disse sim imediatamente”, disse Bebel Gilberto, que narra a história com o ator canadense David Francis. O livro inclui gravações clássicas de nomes do jazz, como Ella Fitzgerald, Duke Ellington, Cab Calloway, Fats Waller e Lionel Hampton.

“Todo o processo foi muito, muito agradável”, afirmou a filha de João Gilberto e Miucha.

Foi depois de participar do livro que Bebel foi convidada a participar da animação “Rio”, dirigida por Carlos Saldanha.

“Rio” é sobre o Rio de Janeiro e sua população, mas também sobre dois pássaros que voam para a cidade brasileira para conhece-la.

“Eu faço a voz de um tucano”, disse Bebel Gilberto. “Foi maravilhoso.” Apesar de não ter assistido ao filme terminado, a cantora declarou que as cenas que viu a deixaram com a impressão de que os realizadores retrataram o Rio de Janeiro “muito bem, ficou lindo.”

O disco mais recente de Bebel Gilberto é “All in One”, de 2009.

A cantora Bebel Gilberto. (Foto: Divulgação)

Bebel Gilberto é “uma mulher apaixonada” sem “tempo a perder”, uma cantora “madura” que presenteia o mundo com seu novo disco, “All in one”, como “uma canção de amor na qual tudo acontece ao mesmo tempo”.

Aos 43 anos, a filha de João Gilberto confessa em entrevista à Agência EFE que viveu “muito intensamente desde os 14 anos”, e agora só procura “estabilidade, após tempos muito loucos”.

“Não há nada como um coração partido para compor uma canção”, segundo Bebel, uma personalidade “melancólica por natureza” que, no entanto, encontrou “na felicidade e no amor” uma poderosa fonte de inspiração. “Essa sensação de estar completa me deixou muito fértil musicalmente”, assegura.

Imersa em “um novo ciclo da vida”, casada e talvez pensando em ter filhos, Bebel refletiu suas “emoções” em “All in one”, um álbum que mistura pop eletrônico e jazz com as raízes da música brasileira. “É um disco muito eclético que tem muitos amigos, muitos produtores, muitas emoções e muitos países”, declara a intérprete, que nasceu em Nova York.

Entre os amigos aos quais se refere está Carlinhos Brown, que é marido de uma prima de Bebel. O cantor e percussionista produziu e foi responsável pelos arranjos do álbum. “Carlinhos é uma estrela que solta brilhos e que foi a primeira pessoa em que pensei para fazer o disco”, explica Bebel.

Mark Ronson, compositor e produtor que trabalhou com Amy Winehouse e Lily Allen, é o responsável por “The real thing”, uma canção escrita por Stevie Wonder na década de 70 e que Bebel recupera em uma versão. “Sua música sempre me encantou, e gravar esta canção foi maravilhoso”, afirma.

A influência de férias na Jamaica, onde nasceu a ideia de “All in one”, explica a presença no álbum de “Sun is shining”, um reggae composto por Bob Marley. “Quando li a letra, foi uma inspiração, como um raio”, descreve Bebel, sobre a música que gravou “em apenas cinco minutos”.

Carmen Miranda

Se tivesse que escolher, a cantora elegeria “All in one” e “Port Antonio” como suas músicas favoritas do novo álbum, o sexto de estúdio, no qual também presta uma homenagem a Carmen Miranda com “Chica chica boom chic”, a alegre batucada imortalizada pela cantora e atriz portuguesa, que morreu em 1955.

“Em 2009, completam-se 100 anos do nascimento de Carmen, e sempre me senti fascinada por ela”, comenta Bebel, sobre uma artista “que trabalhou muito pelo Brasil” e “morreu triste”, já que “nunca teve o reconhecimento que merecia”, disse.

Bebel gravou “All in one” com a Verve Records, o que, para ela, “é uma honra estar em um selo com um legado tão grande, e que, além disso, foi a primeira casa do meu pai”, afirmou a cantora.

“Agora não tenho de trabalhar com a pressão de fazer um disco novo atrás de outro, com as imposições da fonográfica e do ‘manager’, que às vezes te fazem perder os sentidos”, explica a cantora, sobre o processo que a permitiu criar “All in One”, disco que qualifica como “um presente”.