Arquivo da categoria ‘campanha pelo fim de Guantánamo’

Imagem da propaganda da TV dos EUA pelo fechamento da prisão de Guantánamo. (Foto: AP)

Uma coalizão de megabandas e músicos, ultrajados com o fato de que música (incluindo a deles mesmos) está sendo usada para atormentar detentos na prisão de Guantánamo, está juntando forças com militares aposentados e ativistas liberais.

O grupo vai pressionar o presidente dos EUA Barack Obama pelo fechamento do centro de detenção para suspeitos de terrorismo administrado pela Marinha norte-americana em Cuba.

Pearl Jam, R.E.M. e Trent Reznor, líder do Nine Inch Nails, estão entre os músicos que se juntaram à Campanha Nacional pelo Fechamento de Guantánamo, que foi lançada nesta terça-feira (20).

Em nome da campanha, o National Security Archieve em Washington está entrando com um pedido, baseado no Freedom of Information Act, para a liberação de documentos secretos com detalhes sobre o uso de música alta como recurso em interrogatórios.

“Em Guantánamo, o governo dos EUA transformou a jukebox em um instrumento de tortura”, diz Thomas Blanton, diretor executivo do Archieve, um instituto de pesquisas não governamental.

De AC/DC a Vila Sésamo

Baseado em documentos que já vieram a público e em entrevistas com ex-detentos, o Archieve diz que a “trilha sonora” incluía músicas de artistas como AC/DC, Britney Spears, Bee Gees, Marilyn Manson e vários outros grupos. Um jingle de propaganda de comida de gato, além de músicas de séries infantis como Barney e Vila Sésamo também eram tocadas nas celas dos detentos.

Um relatório de novembro de 2008 pela Comissão de Exército do Senado a respeito do tratamento de detentos sob custódia dos EUA faz várias referências ao uso de música como uma ferramenta de interrogatório.

Em um caso relatado, os interrogadores tocaram música para “estressar” Mohamedou Ould Slahi, um cidadão da Mauritânia que esteve em Guantánamo por mais de sete anos, porque ele acreditava que música era proibida.

Durante um período de dez dias em julho de 2003, Slahi foi questionado por um agente que se autodenominava Sr. X, enquanto era exposto a “padrões variáveis de luz” e à música “Let the bodies hit the floor”, da banda Drowning Pool, repetidamente.

A major Diana Haynie, porta-voz da Força-Tarefa de Guantánamo, disse que música alta não tem sido usada contra os detentos desde o fim de 2003.

Segurança

Jayne Huckerby, diretora de pesquisas no Centro de Direitos Humanos e Justiça Global da New York University, afirma que música em altos decibéis também foi usada contra detentos em prisões clandestinas criadas pela CIA.

Como parte de um pedido anterior a respeito desses lugares “obscuros”, Huckerby recebeu um documento ultrassecreto da CIA, datado de dezembro de 2005, em que a agência explica que o uso de música alta ou de ruído é necessário “para sobrepor os nossos sons e para prevenir a comunicação entre presos”.

Se os níveis de decibéis forem mantidos em 79 ou menores (o equivalente a um triturador de lixo) a audição do detento não será prejudicada, diz a agência.

Huckerby diz que a música não estava sendo usada como uma “ferramenta de segurança benigna”, mas como uma maneira de “humilhar, assustar, punir, desorientar e privar os prisioneiros de sono, violando os acordos internacionais”.

O porta-voz da CIA George Little disse que a CIA usou música apenas por motivos de segurança, “não para propósitos punitivos – e sempre em níveis mais baixos que o de um show de rock ao vivo”.

A campanha pelo fim da prisão em Guantánamo começou com propagandas na TV a cabo, incentivando o congresso dos EUA a rejeitar as “políticas errôneas de Bush e Cheney”.

Obama pediu o fechamento da prisão para janeiro, mas problemas logísticos e a oposição republicana no Capitólio têm diminuído a probabilidade da promessa ser cumprida no prazo. O ex vice-presidente Dick Cheney, que avisa que o fechamento da prisão seria um risco para a segurança nacional, tem alimentado a resistência.

Um grupo que se opõe ao fim de Guantánamo, chamado Keep America Safe, disse em uma nota, nesta terça-feira (20), que as pessoas detidas na prisão se dedicariam a matar americanos se soltos.

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