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                  DVD Ladies And Gentlemen… registra os Rolling Stones no auge.

Os fãs dos Rolling Stones têm vários motivos para comemorar.

Apesar de o grupo não ter gravado nada exatamente inédito, foram lançados recentemente diversos produtos relacionados aos roqueiros.

No começo deste ano, o fato mais importante foi o relançamento de Exile On Main ST (Universal Music – preço em média: R$ 45), que ainda rendeu o documentário sobre a gravação do trabalho, Stones in Exile (ST2 – preço em média: R$ 32).

A embalagem da nova edição do CD – lançado originalmente em 1972 – é luxuosa, com direito a capa dupla.

E um encarte com 12 páginas inclui fotos das gravações e informações técnicas sobre cada música.

Mas o melhor mesmo fica por conta do CD adicional contendo dez gravações inéditas.

Duas delas são versões alternativas de Loving Cup e Soul Survivor (cujos originais estão em Exile…), enquanto Good Time Women é na verdade uma versão mais básica de Tumbling Dice.

Agora, chegam às lojas brasileiras o CD solo de Ronnie Wood, um DVD histórico do grupo e a biografia de Keith Richards.

Após 35 anos com os Stones e oito discos solo, Ron Wood gravou seu 9º álbum, I Feel like Playing (ST2 – preço em média: R$ 23).

O disco traz, além da conhecida guitarra rocker dele, um vocal pra lá de rouco do compositor que também integrou a banda The Faces, antes de ser convidado por Jagger e Richards, nos anos 70, a substituir Mick Taylor nos Stones.

Para a gravação, Wood chamou vários amigos: o guitarrista Slash (ex Guns N´Roses e Vevet Revolver), o baixista Flea (Red Hot Chili Peppers), o cantor e guitarrista Billy Gibbons (ZZ Top) e o cantor country Kris Kristofferson. Recomendadíssimo.

Falando em guitarrista, finalmente Keith Richards presenteia os stonemaníacos com suas loucas memórias (sim, ele lembra de muita coisa).

Na biografia Vida (Editora Globo – preço em média: R$ 50), Richards conta histórias dignas de um escritor gonzo.

O guitarrista escreve sobre a infância humilde em um subúrbio britânico, como montou os Stones ao lado de Mick Jagger e, claro, as aventuras recheadas de sexo, drogas e rock and roll. Leia.

Também vale a pena procurar o livro Mick Jagger e os Rolling Stones (Editora Larousse – preço em média: R$ 32), obra escrita por Willi Winkler, lançada há alguns meses no país.

No livro, o escritor relata curiosidades e momentos marcantes da banda.

Por fim, depois de comprar o CD e o documentário sobre as gravações de Exile On Main ST, você tem a chance de assistir a um dos registros ao vivo do importante trabalho.

O filme Ladies And Gentlemen… The Rolling Stones (ST2 – preço em média: R$ 43) foi gravado em quatro noites no Texas durante a turnê de 1972 e foi lançado nos cinemas (para poucas exibições) em 1974.

E, por incrível que pareça, permaneceu inédito em DVD por um longo tempo.

Agora, restaurada e remasterizada, essa pérola do rock faz sua primeira aparição autorizada em vídeo.

Este é um dos melhores shows gravados do Rolling Stones e traz apresentações arrebatadoras de clássicos, como Brown Sugar, Gimme Shelter, Tumbling Dice, Jumpin’ Jack Flash e outras.

Nos extras, imagens de ensaio para a turnê gravadas na Suíça e entrevistas com Mick Jagger em 1972 e 2010. Emocionante.

Ou seja, guarde dinheiro e compre todos os produtos, pois eles valem cada centavo.

 O compositor e intérprete Johnny Alf em 1955, antes da explosão da bossa nova, gênero do qual foi precurssor.

Em seus últimos 15 anos, o cantor, compositor e pianista Johnny Alf (1929 -2010) viveu de dinheiro obtido em shows intimistas, feitos sobretudo em pequenos clubes de jazz e no circuito paulista do Sesc.
MARCUS PRETO

DE SÃO PAULO
 
Em seus últimos 15 anos, o cantor, compositor e pianista Johnny Alf (1929 -2010) viveu de dinheiro obtido em shows intimistas, feitos sobretudo em pequenos clubes de jazz e no circuito paulista do Sesc.
Para público quase sempre restrito, Johnny fazia o diabo. Recriava as próprias canções, desconstruía repertório alheio, mostrava material inédito, promovia jam sessions com convidados, de Cauby Peixoto a Ed Motta.

Ao menos 20 dessas apresentações foram gravadas em áudio, então sem maiores pretensões, pelo empresário do artista, Nelson Valencia.

O material está em fase de tratamento e, ainda neste ano, chega ao público dentro de uma caixa, a ser lançada pela gravadora Lua Music.

Sob os cuidados do produtor Thiago Marques Luiz (que dirigiu álbuns recentes de Wanderléa e do próprio Cauby), o projeto inclui mais dois discos. Um é dedicado aos sucessos de Johnny. Outro, às canções obscuras.

Estão recrutados para o álbum de hits –se é que a palavra “hit” cabe a compositor tão sofisticado– artistas que compartilham do mesmo universo artístico.

“Não tem nenhum gaiato no disco”, diz Thiago. “Só convidamos gente que gostava dele, e de quem sabíamos que ele também gostava.”

Estão na lista Joyce (cantando “Fim de Semana em Eldorado”), Toquinho (“Rapaz de Bem”), Leny Andrade (“O que É Amar”), Claudette Soares (“Gesto Final”), Emílio Santiago (“Nós”), Zé Renato (“Céu e Mar”) e Wanderléa (“Ilusão à Toa”).
O álbum com os temas desconhecidos de Johnny é projeto pessoal de Alaíde Costa –a intérprete predileta do compositor, segundo o próprio chegou a declarar.

Já totalmente gravado, o disco dela inclui canções como “Escuta”, “Como Dois Corações e meu Sonho” e “Tema da Cidade Longe”.

Também está programado para este ano o lançamento de uma biografia de Johnny Alf dentro da Série Aplauso, da Imprensa Oficial.

O livro foi escrito pelo jornalista e pesquisador João Carlos Rodrigues e se apoia em entrevistas com músicos, produtores e amigos do artista desde a adolescência, além de um depoimento de uma hora e meia colhido do próprio Johnny.

Para Rodrigues, o mais importante a ressaltar é que, apesar do final um tanto solitário, o artista não se encaixa no hall dos “injustiçados”.

“Tudo o que ele fez foi porque quis. Até 60 e poucos anos, ele bebia muito, era agressivo, faltava aos compromissos. Foi quase um Tim Maia da bossa nova”, compara Rodrigues. “Quando parou de beber, se tornou uma pessoa muito fechada”.

FONTE: FOLHA ILUSTRADA

Que Mayana Moura está arrasando como a Melina, de Passione, todo mundo já sabe.
Mas o que muita gente ainda nem desconfia, é que a bela atriz também é cantora e vai lançar um disco em breve. Mayana, que é vocalista da banda Glass and Glue, acabou de assinar um contrato com a Deck Disc para gravar um CD com o grupo.

Formado por Marina Franco, Mayana Moura (vocais), Fabricio Matos, Paulo Ferreira (guitarras), Eliza Schinner (baixo) e Fabiano Matos (bateria), o Glass and Glue se apresentou recentemente no Fashion Rio Inverno. Para conhecer mais sobre o trabalho do grupo, clique aqui.

Via: Patrícia Kogut

Gravadora: Atco/Rhino PETE YORN & SCARLETT JOHANSSON – “BREAK UP”

Depois de “Anywhere I lay my head”, álbum produzido por integrantes do TV on the Radio com versões de músicas de Tom Waits, a atriz Scarlett Johansson mostra a faceta de cantora novamente em “Break up”, desta vez com canções originais compostas pelo músico Pete Yorn – conhecido pela faixa “Strange condition”, incluída na trilha do filme “Eu, eu mesmo e Irene” (2000). Gravado em 2006, o CD foi inspirado nos duetos do francês Serge Gainsbourg (morto em 1991) com a modelo e atriz Brigitte Bardot. Mas, ao contrário do que se possa imaginar, “Break up” não traduz a atmosfera sensual evocada nas gravações do famoso casal nos anos 60. Despretensiosos, Scarlett e Yorn somam seus vocais em composições de acento country e folk, caso de “Search your heart”, e em baladas moderninhas como “Shampoo”. (LÍGIA NOGUEIRA)

O duo inglês Pet Shop Boys. (Foto: Divulgação)

Dois dos maiores nomes da música eletrônica dos anos 80 voltam a lançar discos. Sem álbum novo desde2005 (ano de lançamento de “Playing the angel”), os ingleses do Depeche Mode lançam em abril o disco “Sounds of the universe”. Já a dupla Pet Shop Boys lança em março “Yes”, sucessor do álbum “Fundamental”, de 2006.

O Depeche Mode já faz planos a longo prazo – em 2010, a banda completa 30 anos de carreira, e já começa as comemorações em maio de 2009, com uma turnê que deve passar por grandes estádios, começando em Tel Aviv e que pode passar pela América do Sul.

“É de certo modo bizarro o fato de tocarmos hoje para mais gente do que no ápice do nosso sucesso”, disse o tecladista Andy Fletcher à revista “Billboard”. “Acho que agora temos diferentes gerações nos ouvindo”.

“ Sounds of universe” já tem single de estreia ( “Wrong”), e troca de papéis: o compositor Martin Gore canta a balada “Jezebel” e o vocalista David Gahan é responsável pela composição de “Hole to feed”.

Participações

“Yes”, décimo álbum do Pet Shop Boys, vai ser lançado no dia 23 de março e conta com participações especiais. Johnny Marr, ex-guitarrista dos Smiths e atual Modest Mouse, toca em diversas faixas. Já Owen Pallett (Arcade Fire, Final Fantasy) é responsável pelos arranjos orquestrados de “Legacy” e “Beatiful people”.

A produção requintada – com direito a sample de Tchaikovsky em “All over the world” – ficou a cargo de Brian Hoggins, do estúdio pop Xenomania, que já trabalhou com Girls Aloud, Cher, Kilie Minogue e Sugarbabes, entre outros. O primeiro single do disco é “Love etc”, definido como “um hino ao nosso estilo de vida”, segundo os próprios Pet Shop Boys

Álbum: Chinese democracy / Artista: Guns N’ Roses / Gravadora: Universal

‘Chinese democracy’ patina entre o hard rock e a música eletrônica.Aguardado há 15 anos, disco tem lançamento em 25 de novembro.

Aguardado há quase 15 anos (desde o disco de covers “The spaghetti incident”, de 1993), o sempre prometido “Chinese democracy” foi adiado sucessivas vezes e acabou virando alvo de piadas, correndo o risco de se tornar o “disco perdido” do GN’R, que atualmente só conta com o vocalista Axl Rose da formação original.

Primeiro as boas notícias aos fãs de Axl: a voz dele ainda mantém aquele timbre característico, agudo e levemente rouco, e muitas vezes o cantor grita como se esivesse em 1989. As guitarras também carregam os timbres, riffs e mesmo os alguns solos que caracterizaram o período em que o cabeludo de cartola Slash (hoje guitarrista da Velvet Revolver) ainda fazia parte da banda.

Mas apesar de preservar certas características que ajudaram a criar a identidade do Guns N’ Roses, “Chinese democracy” não soa como um álbum de hard rock, gênero no qual a banda se consagrou. Na verdade, o disco flerta bastante é com a “rocktrônica” dos anos 90: a segunda faixa, “Shacler’s revenge” (lançada inicialmente no videogame “Rock band 2”), poderia ter saído de uma colaborção de Axl com White Zombie ou com Prodigy, dependendo da referência do ouvinte.

Juntando os trapos

As orquestrações e programações se espalham por todo o disco, como numa versão revisitada da trilha sonora do filme “Spawn”, que juntava bandas de rock pesado com artistas de música eletrônica.

Toques orientais figuram na introdução da faixa-título e em “If the world”, enquanto as baladas “Street of dreams” e “This I love” disputam o posto de “nova ‘November rain'”. “Scrapped” pode trazer a lembrança de “Welcome to the jungle” (com um pouco de boa vontade, claro) com um clima de r’n’b dos anos 90, enquanto “Sorry” é uma balada eletrônica com vocais processados.

Mas graças a essas mesmas orquestrações épicas, programações eletrônicas parecendo datadas e vocais variando em timbre, tom e volume, “Chinese democracy” soa como uma colagem das várias fases de gravação pelas quais o álbum passou — algumas faixas contam com até cinco guitarristas diferentes.

Engenheiro de som de bandas como Rage Against the Machine e Pearl Jam, o co-produtor Caram Costanzo até se esforça, mas a tendência é que o disco descambe para a mesma esquizofrenia que marcou toda a sua história de gravação.

Quanto aos fãs, a aprovação do disco deve variar de acordo com o grau de nostalgia e paciência de cada um. Mas, para quem esperou tanto tempo, paciência não deve ser uma virtude em falta.

Resenha de CD
Título: A Casa Amarela
Artista: Veveta e Saulinho
(Ivete Sangalo e Saulo Fernandes)
Gravadora: Caco Discos / Universal Music
Cotação: *

De carisma comprovado junto ao público, inclusive o infantil, Ivete Sangalo resolveu seguir os passos de Adriana Calcanhotto, abriu um universo paralelo em sua carreira fonográfica e gravou um disco para os baixinhos, dividido com o péssimo cantor Saulo Fernandes. Já nas lojas, o CD A Casa Amarela – assinado pelos cantores com seus apelidos entre os amigos, Veveta e Saulinho – é um atentado contra a educação musical infantil. Sob o pretexto de evocar a inocência infantil, Veveta e Saulinho compuseram músicas sofríveis pautadas por melodias primárias e letras sem qualquer traço de poesia. Os artistas deveriam ter feito a lição de casa e escutado Adriana Partimpim – o projeto infantil lançado por Calcanhotto em 2004 – para aprender como se idealiza disco para crianças com inteligência, criatividade e com discernimento.

A Casa Amarela apresenta 11 músicas inéditas em 31 minutos. Nada se salva na primeira parte do álbum – ainda que os arranjos valorizem os temas. Seja por conta do pulsantes metais que tentam injetar ânimo em Bicho, seja pelo clima onírico que envolve a gravação de Fantasia. Na segunda parte do disco, o resultado é (um pouco) menos constrangedor. Com muito boa vontade, dá para embarcar na levada de reggae de É Bom Viajar e exaltar a delicadeza do acalanto Sono, entoado pela amiga Xuxa. Contudo, a única faixa que ainda consegue ter alguma graça é o Funk do Xixi. O arranjo simula a base de um bailinho da pesada sobre a qual Ivete discorre sobre a arte de urinar na cama. Contudo, é recomendável que os pais impeçam seus filhos de entrar na Casa Amarela, uma vez que são grandes as chances de as crianças saírem de lá com a educação musical comprometida…

Renato Russo O Trovador Solitário

Publicado: agosto 21, 2008 em CD

O Trovador Solitário oferece uma oportunidade única de espionar o processo criativo de um dos nomes mais expressivos (além de um dos maiores sucessos de vendagem) da história da indústria fonográfica brasileira. Renato Russo, considerado por muitos colegas de geração o maior letrista e compositor do rock nacional de todos os tempos, ressurge mais uma vez, desta feita por meio de registros resgatados pelo pesquisador musical Marcelo Fróes. Uma oportunidade única, ou, dependendo do seu ponto de vista, mais um caso indefensável de necrofilia musical. Trata-se de versões voz-e-violão de músicas compostas por Renato que seriam gravadas e imortalizadas pela Legião Urbana. Gravadas originalmente em cassete, algumas cópias foram distribuídas a amigos na época. São canções hoje intimamente associadas ao pop nacional, como “Que País é Este”, “Eduardo e Mônica”, “Geração Coca-Cola” e mais. A audição, porém, é dolorosa: “Faroeste Caboclo”, descontada a qualidade de áudio atroz (uma constante no disco), é praticamente idêntica à sua versão mais famosa, mas o som da gravação lhe confere um tom frágil e irritante. “Eduardo e Mônica” é uma das únicas a apresentar diferenças significativas (na letra) em relação à versão final, o que leva à inevitável questão: o que motivou o lançamento de material tão gritantemente desnecessário? Vão-se os tempos em que discos (mesmo os da Legião Urbana) vendiam na casa das centenas de milhares de cópias, e os registros aqui contidos tornaram-se famosos justamente por ser partilhados internet afora pelos fãs da banda em versão pirateada. Mas O Trovador Solitário não é uma oportunidade inteiramente perdida. Não se a idéia por trás do disco for fazer o cantor parecer mais morto do que realmente está.
Músicas:

01. Dado Viciado
02. Eduardo e Mônica
03. Eu Sei
04. Geração Coca-Cola
05. Faroeste Cabloco
06. Boomerang Blues
07. Anúncio de Refrigerantes
08. Marcianos Invadem a Terra
09. Veraneio Vascaína
10Que País é Este .
11. Summertime

Capa do novo álbum da banda, “7 vezes”. (Foto: Divulgação)

O Rappa agora anda dizendo por aí que nunca foi uma banda de protesto. A música que dá nome ao novo álbum d’O Rappa, “7 vezes”, é uma canção de amor – fato inédito em sua discografia. A faixa que abre o novo disco d’O Rappa é bem diferente de hits furiosos como “Minha alma (a paz que eu não quero)” ou “Miséria S.A.”, e começa com o verso-lamento “o meu santo tá cansado”. Antes que os fãs pensem que as informações acima se referem a uma mudança radical no discurso da banda, segue o aviso: O Rappa continua o mesmo. E, segundo definição do vocalista Marcelo Falcão, “7 vezes” é “O Rappa sendo O Rappa de novo, cara!”. “A gente nunca foi uma banda de protesto, nunca foi de dizer o que é certo e o que é errado. A gente tem nossa verdade e não priorizamos o discurso em detrimento da música”, explicou o guitarrista Xandão em entrevista coletiva realizada na quarta-feira (13), para anunciar o lançamento do sétimo álbum do quarteto do Rio. “Essa coisa de protesto dá impressão de que somos uma banda sisuda. E a gente não é assim. Temos esse humor inerente do carioca, de rir de nós mesmos, de zoar um com o outro”, reforça Falcão.

Cinco anos depois de “O silêncio que precede o esporro”, último álbum de inéditas, a maior preocupação da banda parece ter deixado de ser o “esporro” em si. O Rappa quer mostrar um som mais sofisticado, cheio de referências e experimentalismos. “A sonorização desse disco é ímpar. Todas as faixas foram gravadas do começo ao fim, na mesma levada”, conta o baixista Lauro Farias. “Usamos instrumentos indianos, pianos, e um monte de barulhos de objetos que deram uns efeitos ‘maneiros’, tipo enxada, correntes, bacias, garrafas… O Hermeto Pascoal já fazia isso, mas é difícil ver essas experimentações darem um bom resultado na música pop. Fica tudo meio diluído”.

Melhor de 100
Segundo Falcão, nestes cinco anos sem apresentar novidades, a banda não estava de folga em “um cruzeiro no Havaí ou em alguma praia de Fortaleza”. “Não que a gente não merecesse”, atesta o vocalista. “Mas a gente estava na estrada, fazendo show e compondo músicas novas”. O quarteto conta que mais de cem canções foram compostas e apenas 14 as selecionadas para “7 vezes”. Para reduzir tanto o repertório, os músicos separaram as canções nas categorias “forno” (aquelas com potencial de entrarem no disco), geladeira (as que poderiam esperar mais um pouco) e as esquisitas (precisa explicar?).

“7 vezes” foi uma das primeiras aprovadas. “É uma música que fala de amor, o que é uma coisa inédita pra gente”, explica o baterista Marcelo Lobato. Outra que logo ganhou sinal verde foi “Súplica cearense”, de Luiz Gonzaga – atual obsessão musical de Falcão. “Eu ouvi quase toda a discografia dele do ano passado para cá. A letra desta canção me tocou muito. Fala sobre um cara que achava que as coisas não davam certo porque ele não sabia rezar direito”, explica. “Quis mostrar da maneira d’O Rappa uma música que talvez só depois a galera vai saber que é do Gonzagão”. A banda prefere não rotular em que praia musical se encaixa “7 vezes”. “Para você ver como a gente nunca levanta bandeiras, nem a musical! Até hoje deixamos as pessoas decidirem que tipo de som a gente faz. É rock, é rap, é reggae, é dub? Não sei, mas está tudo ali”, diz Falcão.

Enfim, o protesto
O grupo fala com entusiasmo sobre as experiências musicais que nortearam o processo criativo de “7 vezes”. No entanto, como se trata de “O Rappa sendo O Rappa”, o discurso social logo não tarda a aparecer.

Em ano de eleição, Falcão diz que a faixa que abre o disco, “Meu santo tá cansado”, fala justamente sobre a mesmice da cena política nacional. “Se o brasileiro tivesse educação, não ia aceitar o ‘Fome Zero’. Ele ia achar que estavam tirando uma onda com a cara dele”. De políticas assistencialistas, aliás, o vocalista não quer nem ouvir falar. “Cota pra negro? Geral precisa de estudo!”, reverbera. “O Lula ainda faz aquele discurso como se estivesse em São Bernardo”, compara o músico. “Agora está todo vestido de Ricardo Almeida, de Armani, mas a cara dele para ganhar voto da galera é de ‘me identifico com vocês, sou sofrido igual vocês’. É muito feio! Um cara desse para mim é igual ao Hitler. Os propósitos dele são os da turma dele, o do filho dele”. Depois de disparar suas opiniões inflamadas, Falcão insiste na tese de que O Rappa não é uma banda de protesto. Politizada, então?

“Somos os homens que põem o dedo na ferida. Porque têm muita coisa na gente que dói”. É O Rappa sendo O Rappa.


Em meio à enxurrada de superproduções artificiais que ocupam cada vez mais espaço nas prateleiras, Alicia Keys ressurge com um álbum de apelo pop e ao mesmo tempo fiel às raízes. Considerada uma das responsáveis pela renovação da música negra norte-americana, a cantora e compositora acaba de lançar “As I am”, quarto álbum de sua carreira (incluindo “Unplugged”, de 2005), que logo de cara ganha o ouvinte pela honestidade.

Em vez de lançar mão de uma série de efeitos eletrônicos em excesso, como já se tornou constante entre as cantoras que se encaixam no rótulo “R&B”, a artista tratou de escalar uma bela banda – com direito a naipe de metais e até um cultuado órgão do tipo Hammond B3 –, um bom time de produtores, e partiu para o estúdio.

Só o fato de compor e co-produzir suas próprias canções já garante uma porcentagem de veracidade às faixas. Algumas são bem açucaradas, é verdade, mas nada que incomode demais. As letras não chegam nem aos pés das aventuras etílicas e amorosas de uma Amy Winehouse. A sinceridade das baladas de Alicia, porém, são perfeitas para tocar no rádio sem agredir.

Elogiado pela crítica internacional, “As I am” já é sucesso entre os fãs norte-americanos. O álbum estreou em primeiro lugar na parada da Billboard 200 e vendeu 742 mil cópias na primeira semana – a melhor marca para uma artista desde “Feels like home”, de Norah Jones (2004).

Pontos altos do disco, “Wreckless love” e “Thing about love” lembram cantoras de soul dos anos 70. “Lesson learned” tem participação do cantor e guitarrista americano John Mayer, enquanto “Go ahead” ganha a força da cantora Marsha Ambrosius. A coisa desanda quando pende para o R&B mais comercial, a exemplo de “No one” ou “Like you’ll never see me again”. Não hesite em pular para as faixas seguintes.

Destaques:

“Wreckless love”

“Thing about love”