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A cantora Demi Lovato, em momento do show em SP. (Foto: Daigo Oliva)

Demi Lovato está no meio de uma turnê, acabou de lançar seu novo álbum e está estrelando sua própria série na Disney TV, “Sonny with a chance”. Mas ela tem certeza de ter tempo de conhecer cada um dos garotos bonitos por quem se interessar.

“Eu sou uma garota de 16 anos – é claro que eu arranjo tempo para namorar”, ela diz rindo durante a entrevista.

Lovato soa como uma típica garota adolescente, mas não espere músicas sobre garotos dominando o repertório de seu novo álbum, “Here we go again”. Apesar de temas como romance e corações partidos estarem presentes, ele também lida com o que ela chama de questões sérias.

Lovato falou sobre o amadurecimento da sua música, sobre trabalhar com o ídolo John Mayer e porque ela não está procurando uma relação séria durante a adolescência.

AP: Você tem medo do estigma de ser um ídolo teen?

Demi Lovato: Eu estou tranquila com isso, sabe? O Disney Chanel me deu muitas oportunidades, eu estou muito animada em poder trabalhar com eles. E no final das contas sou apenas eu, cantando e mostrando para todo mundo quem eu sou, diferente do meu personagem no (filme) “Camp rock”. Eu só quero mostrar para todos quem eu sou e deixar que eles me conheçam.

AP: Existe um tema no seu novo álbum?

Lovato: Nós não chegamos a um tema porque eu queria ter certeza de que o disco e as músicas dele fossem mais maduras, mais sobre eu mesma.

AP: Você parece estar atraída por músicas mais sérias – você consegue mantê-las jovens?

Lovato: Eu não quero que as faixas sejam sérias, sombrias. Eu acho que existe uma maneira de incorporar um pouco de cada aspecto, de maneira a atrair pessoas mais jovens e mais velhas, e, o mais importante, gente da sua idade. É com quem eu quero me conectar, pessoas da minha idade e pessoas que estão passando pelas mesmas coisas que eu.

AP: Você já escreveu alguma música e desistiu de lançar, achando que era muito pessoal?

Lovato: Algumas vezes as composições saem pessoais demais, mas eu nunca lançaria algo assim. Acabo só guardando elas no computador, como um tipo de diário. Todas as minhas músicas vêm de experiências pessoais, mas acho que você pode imaginar o que quiser a partir delas.

AP: John Mayer co-escreveu “World of changes” com você. Foi intimidador trabalhar com ele?

Lovato: Foi um pouco intimidador sim, porque foi difícil pensar na letra – ‘E se ele achar que ficou uma droga?’… Então eu estava aterrorizada, mas ao mesmo tempo eu estava sentada com ele, pensando ‘isso é bem legal’, e a cada vez que ele me elogiava eu ficava muito feliz.

AP: Você já disse que, quando era criança, não era muito sociável.

Lovato: No ginásio eu era da turma popular e, olhando para trás, acho que não valeu a pena. Eu preferiria ter sido feliz e não ser conhecida por ninguém do que presa a um grupo cheio de dramas e fofocas e rumores. Não é divertido.

AP: Você decidiu estudar em casa. Por que?

Lovato: Eu deixei a escola porque chegou a um ponto onde os rumores e fofocas e as brigas – era mais um abuso verbal do que um lance físico, mas é mais assustador do que qualquer outra coisa. E eu tive que sair porque eu simplesmente não conseguia lidar com isso. E estudo em casa desde então.

AP: Você canaliza sua raiva na hora de compor?

Lovato: Eu fiquei quase um ano sem saber direito o que fazer, e só me abria com a minha melhor amiga, Selena (Gomez), que estava estudando em casa comigo na época. Mas havia a minha música – eu tinha tantas coisas guardadas dentro de mim, com as quais não conseguia lidar, e acabei escrevendo músicas sobre elas.

AP: E como você acaba conhecendo garotos?

Lovato: Eu amo garotos (risos), mas, você sabe, ao mesmo tempo, eu não vou sair com cada um dos garotos que eu quiser. Eu posso pegar o telefone deles e bater um papo, mas não há nada de errado com isso, eu tenho 16 anos. Eu não gosto de relacionamentos. Eu prefiro ter um monte de amigos realmente bonitos. É por isso que você nunca vai me ver “com alguém” por um longo tempo. Porque é melhor ter um monte de caras bonitos de quem você pode obter atenção ao flertar, mas você não precisa beijá-los ou estar com algum compromisso com ninguém.

Em entrevista, cantora fala sobre música, drogas e o marido, Blake.’É como se não tivesse razão para viver’, lamenta a estrela A complicada estrela pop Amy Winehouse está na capa da edição de setembro da revista ‘Rolling Stone’ brasileira. A publicação traz um perfil da artista, que completará 25 anos no próximo dia 14, e passou de um dos mais promissores talentos da música para celebridade trash. (Foto: Divulgação)

Em entrevista, cantora fala sobre música, drogas e o marido, Blake.’É como se não tivesse razão para viver’, lamenta a estrela.

O pianista pernambucano Vitor Araújo (Foto: MySpace do artista)

Quem ouve Vitor Araújo tocar, nem de longe imagina a idade que ele tem. Quem vê Vitor Araújo tocando, se encanta. Já quem conversa com Vitor Araújo, se espanta. Apesar de se assustar com a chegada da idade adulta e ainda se ver como um menino, ele é um homem de idéias e personalidade forte. Aos 19 anos, comparado constantemente ao britânico Jamie Cullum, o pernambucano experimenta o lançamento do primeiro CD e DVD, “TOC – Ao Vivo no Teatro de Santa Isabel”, que tem Villa Lobos, Luiz Gonzaga e até Radiohead. Ele, que começou a tocar aos 10 anos, diz que nem se importa mais com os rótulos colocados por críticos a uma geração novíssima e considera Mallu Magalhães a melhor artista de pop rock brasileiro na atualidade.
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Vitor está no Rio de Janeiro em temporada de um mês com sua banda, a “Seu Chico”, que tem no repertório somente músicas de Chico Buarque. Neste tempo todos estão morando juntos em um apartamento em Copacabana, mas Vitor não disfarça o desejo de voltar para casa, no Recife. Nesta entrevista ele fala um pouco de sua relação com a música, da virada da adolescência para a fase adulta e ainda sobre como se descobriu um artista. Vitor conta ainda que uma de suas maiores paixões é o palco e que, caso vivesse em um mundo sem música, seria um louco, mas um louco de destaque. “Aquele louco do sinal.”

G1 – Com quantos anos você começou a tocar?

Vitor Araújo

– Com dez eu comecei a tocar em uma escola tradicional, o Conservatório Pernambucano de Música. Toda a minha formação foi clássica, com harmonia tradicional. Comecei a tocar os compositores eruditos todos com aquele dogmatismo de partitura e técnica. Como eu era meio fissurado, acabei entrando em contato com os professores e os músicos mais velhos.Entrando em contato com músicos mais experientes, eu comecei a aprender muito sobre música popular, jazz principalmente. Com 15 anos eu já sabia tudo sobre Milles Davis, [John] Coltrane, Bill Evans, Thelonious Monk, Dave Brubeck… E como na música erudita eu acabei tendo um grande apreço por Villa Lobos, o compositor que eu mais toquei e mais amei, eu acabei caminhando por esse lado na hora de tentar fazer um trabalho como artista.

G1 – Como você definira a música que faz ?
Vitor – Tem gente que não gosta da minha mistura de erudito e popular dizendo que são universos que não podem se encontrar. Eu não penso muito nisso. Vejo a música como sinceridade, tanto estética quanto sentimental. É você falar uma verdade sem precisar utilizar o verbo, se utilizando das notas e pela música. A partir daí é que surgiu o meu trabalho. Eu toco Villa Lobos e improviso em cima dele com arranjos de músicas populares ou composições minhas. Eu já arranjei problemas por improvisar em cima de música erudita, mas ao mesmo tempo já conquistei muito sorriso e muitas lágrimas. Na verdade, é este o propósito da arte.

G1- É difícil te colocar em uma prateleira e muita gente te critica por isso. Você se incomoda com os comentários não favoráveis sobre o seu trabalho ?
Vitor – Algumas vezes incomodam, principalmente quando feitos sem embasamento. O Ariano Suassuna diz que tem que haver radicalismos dos dois lados para poder haver um equilíbrio cultural. Se todo mundo passar a fazer o que eu faço, vai se perder uma tradição que vem de anos. Eu não condeno quem me critica. Eu condeno a forma de crítica que fazem às vezes. Dizer que eu sou um deturpador, que eu tô fazendo isso para aparecer, é completamente sem sentido. Se você diz que não concorda é uma coisa. Eu não tenho como mexer na opinião das pessoas. Mas a pessoa tentar entrar em mim e dizer porque eu toco desse jeito, é demais! E tem pessoas que fazem isso.

G1 – Eu percebo que você trata a música com muito amor, com um sentimento muito forte. Você se sente desrespeitado quando criticado?
Vitor – Não vejo como desrespeito. Vejo como falta de sensibilidade. Não consigo dissociar a arte das inspirações humanas mais naturais. Eu não consigo conceber a pessoa fazer arte para ganhar dinheiro, para aparecer ou por um interesse ou outro. Se tem gente que faz isso, e eu acredito que tem, acho que deveria procurar outras formas de ganhar dinheiro, aparecer ou ter seus interesses ganhos. A arte é uma anestesia, o artista faz arte por necessidade. Eu acho que um palhaço é um palhaço por necessidade. Ele precisa ser um palhaço. Eu preciso estar no palco, é uma necessidade minha. Se eu não colocar as minhas euforias e angústias pra fora, gritando da minha forma, no caso indo pro palco e tocando do meu jeito, eu não sei como é que vou fazer. Eu sequer me imagino em sociedade sem poder gritar os meus sentimentos ali no palco.

G1 – Você pisa no piano, toca por dentro, nas cordas… e pisar no instrumento, te confesso, é um pouco impactante. Qual é a sua relação com o piano que é o seu instrumento de trabalho?

Vitor – A relação com o instrumento tem que ser de paixão. Se não for a alma. E toda paixão tem ciúme, raiva. A paixão pode transformar o amor em ódio em segundos. Quando eu chego, piso no piano e logo depois toco com carinho, são movimentos de paixão. Mas eu comecei isso de pisar no piano por uma questão estética. Se eu simplesmente entrasse no palco calçando All Star com camisa e calça jeans seria legal. Até uma quebra de paradigmas.

Mas pra mim não faz tanto sentido estético e artístico. Então eu chegar e pisar no piano é uma quebra muito mais forte, de laços e imagem. Hoje em dia não faz mais muito sentido pisar no piano. Quando eu vou entrar no palco, as pessoas já me conhecem. Hoje em dia eu nem faço muito. Só em shows abertos, porque geralmente são pessoas que não me conhecem. Porque é como se fosse uma carta de apresentação. Hoje em dia eu não faço mais. O bom era a surpresa. Porque a pessoa tá sentada lá no teatro e vai ver Vitor Araújo. Mas ela não sabe quem é Vitor Araújo. Ela sabe que vai ouvir algum pianista erudito. Então a imagem dela é de uma pessoa velha, o que acho terrível, mas que é a imagem que se tem da música erudita. Então um menino sobe com All Star e pisa no piano. É uma quebra que acho fantástica. Se eu tivesse sentado no teatro esperando um músico erudito e ao invés dele chegasse um menino pisando no piano eu ia achar arretado, eu ia vibrar!

G1 – De alguma forma você se vê como um palhaço ?

Vitor – Eu gosto dessa idéia. Tanto que venho desenvolvendo um palhaço para mim. Não para tocar, nada a ver com minha arte. Mas eu tenho desenvolvido um palhaço porque eu quero fazer um palhaço. Eu quero representar o meu palhaço na vida. E ele é um velho. Ele é um palhaço que não tem graça, e isso é massa! Ele, quando pega as bolinhas, não faz malabarismo com três porque não consegue. Faz só com duas. É engraçadíssimo e ele conhece todo mundo. Conheceu Napoleão, Chaplin, Getúlio Vargas, Gandhi, Buda e até Jesus Cristo. É massa esse palhaço!

G1 – E como chama?

Vitor – Não sei. Não tem nome ainda. Tô pensando em um nome para ele. Quando tiver o personagem pronto, de alguma forma eu vou sair com ele pra algum lugar. Se você pergunta pra ele : “Conhece o Pelé?” Ele fala: “Ah… tem muito futuro pela frente, eu vi ele jogar um dia desses e acho que o menino pode chegar até na seleção brasileira”. Se pergunta o que ele acha da internet, diz que não conhece esse tal de internet. Ele acha que é uma pessoa. Meu palhaço não consegue conceber essas coisas de máquinas não.

G1- Você se considera um adolescente típico, Vitor ?

Quer dizer, com dezenove anos você praticamente não é mais um adolescente, um adulto… Vitor – Ai, isso me dá uma dor. No apartamento que a gente está não pega bem o celular. Aí eu vou pra escada. Eu estava falando com a minha namorada lá na escada e veio um menininho jogar fora o saco de lixo da casa. Um menininho de uns 7 ou 8 anos. Ele jogou no lixo e quando voltou pra casa a mãe perguntou o que tinha acontecido. Ele disse que tinha um homem sentado na escada. Isso me deu uma dor, velho. Um homem sentado na escada. Um homem é muito pesado. Porque geralmente é: “tem um menino sentado na escada”. Agora um homem… vixe ! Chega me dar um frio na barriga.

G1 – Você, Mallu Magalhães e outros são de uma geração que está usando a internet para se revelar. Você acha que sem internet teria gravado um disco ?

Vitor – Se não existisse internet a gente estaria com outras formas de mídia. A gente estaria ainda na época das fichinhas. Eu acho muito estranho estar em uma grande gravadora, aparecer na TV. Porque eu sou músico erudito, queira ou não, mesmo com os meus exageros. Eu sou um músico instrumental. Minha carreira toda foi por causa da internet. Mas como seria sem, isso eu não sei dizer. A Mallu nem se fala. Ela tem 1 milhão e 500 mil acessos no MySpace. É muito doido. Eu e ela estávamos conversando. Ela indo para São Paulo e eu para Recife. Eu disse: “Mallu, como é que eu vou fazer pra não gastar rios de dinheiro de celular para falar contigo?”. Porque se eu mandar uma mensagem no MySpace dela vai ter um milhão de mensagens.

G1 – E você gosta da música da Mallu?

Vitor – Adoro. Acho genial. Se for perguntar o que tem de melhor no pop e no rock hoje, eu digo que é Mallu. Acho que ela faz coisas impressionantes na composição. Mas dizer que eu sou de uma nova geração me dá muita responsabilidade e sobre isso não sei dizer. Eu quero estar com 60 anos no palco. Eu faço o que faço por amor. Eu nunca pensei em inovar, pegar um Villa Lobos e inovar. Eu faço o que eu gosto. Peguei Villa Lobos e passei tarde inteira tocando e misturando com outros compositores e compondo em cima daquilo. Eu vou pro palco e faço o que gosto.

G1 – Você é um músico pop?

Vitor – Eu sou um leite. Não me importo se de uma marca ou outra. De qual vaca eu vim? Não sei. Não me preocupo com a embalagem. Já me chamaram de Jamie Cullum [cantor e pianista de jazz britânico]. Já me disseram que eu sou pop, rock and roll no piano. Já me deram tantos rótulos que eu nem sei mais que marca eu sou. Eu já tenho tantos adjetivos que virei uma figura de linguagem que adjetiva as pessoas. Eu acho que não sou nem mais Vitor. Virei o jovem pianista pernambucano de 19 anos que sobe no piano. Já tenho um rótulo. Mas se você considerar como música instrumental, eu sou bastante pop por causa da minha estética e do contexto que eu estou inserido.

G1 – Quem são seus ídolos?

Vitor – Chico [Buarque] e Thom Yorke [vocalista do Radiohead] não é nem idolatria, é paixão mesmo. Acho que se eu fosse mulher ia correr atrás deles pra casar. Mas eu gosto muito dos pianistas e dos compositores. Chopin me atinge de uma forma tal. Gosto muito de Beethoven e me acho parecido com ele porque ele é muito exagerado. A dor dele é muito grande, a felicidade dele é muito feliz e eu gosto muito de exageros.

G1 – Como é a sua dor?

Vitor – A minha dor é muito grande e minha felicidade muito estapafurdiamente entusiástica. Por isso eu gosto de palhaços.

G1 – Se um dia te levassem para viver em um mundo onde não existisse piano, onde não existissem notas musicais, o que você faria?

Vitor – Se fosse hoje eu ia virar o palhaço. Eu ia querer subir num lugar onde as pessoas pudessem me ver e eu ia me expressar de alguma forma. Nem que eu virasse um poeta ou um vagabundo. Nem que eu virasse um louco. Nem que eu virasse aquele louco daquela rua. Isso para mim seria fantástico. Se eu fosse um louco que ficasse no sinal e as pessoas passando e dizendo: “olha aquele louco, o louco do sinal”. Que nem a Alzira da música do Lenine. “Alzira bebendo vodca de frente da torre Malakoff. Pronto! Se eu fosse a Alzira já estava ótimo

O cantor Paul Anka, autor do sucesso ‘My way’. (Foto: Divulgação)

Depois de mais de 50 anos de trabalho no show business, o ídolo teen dos anos 1960 Paul Anka diz que fazer 75 apresentações por ano é melhor para a saúde que aposentar-se.

O primeiro sucesso do canadense Anka foi “Diana”, em 1957, aos 16 anos. Ele compôs “It doesn’t matter any more” para o mito do rock’n’roll Buddy Holly, e sua canção temática para o programa de Johnny Carson na TV americana foi ouvida todas as noites durante décadas.

Sua letra de “My way” foi celebrizada por Frank Sinatra e é ouvida em karaokês pelo mundo afora, e ele já gravou mais de 120 álbuns. No momento, está trabalhando sobre outro álbum e sua autobiografia.

Paul Anka falou à Reuters por telefone sobre música, como ele sobreviveu com ela, sobre cantores que conheceu – incluindo Elvis, Frank Sinatra e o “Rat Pack” – e seus planos para o futuro. Ele vai apresentar-se na Espanha nesta quinta (31) e sexta-feira, percorreu a Europa recentemente e em setembro vai apresentar-se na Ásia.

É difícil continuar a fazer 40 apresentações por ano?

Paul Anka – Na verdade faço 75. Muitas delas não são divulgadas. Faço shows para empresas, trabalho em cassinos. Hoje é muito mais fácil, acredite se quiser, do que era anos atrás, quando não havia tecnologia neste ramo. A gente não tinha controle sobre o que queria fazer, como tem hoje. Quando trabalhávamos para a máfia em Las Vegas, eles nos diziam o que fazer, onde e como, e não havia discussão. Era uma grande lição. Aprendíamos muito em termos de foco, integridade e profissionalismo.

Você poderia falar mais sobre a máfia?

Paul Anka – Quando comecei no ramo musical, era tudo praticamente controlado pela máfia. Naquela época a máfia era dona de tudo, controlava tudo, e a gente tinha que trabalhar para ela. Não havia outro lugar para trabalhar, até que os Beatles abriram o mercado, então o hard rock chegou nos anos 1960, e os locais onde se tocava mudaram. Mas a gente trabalhava para aqueles sujeitos, estávamos ali com Frank Sinatra, Sammy Davis e Dean Martin, e era bastante interessante.

Então as coisas estão mais fáceis hoje?

Paul Anka – Estão mais fáceis, mas acho que o mundo se tornou mais perigoso. Naquela época, (o presidente dos EUA John) Kennedy podia vir, havia garotas, dançarinas, prostitutas, e nada disso saía nos jornais. No mundo da grande mídia hoje, isso não é mais possível. A imprensa fica em cima dessas pessoas, Britney Spears ou qualquer outra.

Falando em mudanças tecnológicas no ramo musical, o que você acha dos downloads?

Paul Anka – O ramo musical mudou e vai mudar mais. Acho que os CDs ficarão obsoletos, as gravadoras com as quais trabalho ficarão obsoletas. É como no ramo do cinema ou qualquer uma dessas infra-estruturas: a gente tem que trabalhar com a evolução dos tempos. Mas acho que tudo se resolverá a partir do momento em que as pessoas aceitarem qual é o novo modelo.

Foi difícil livrar-se do rótulo de “ídolo teen”?

Paul Anka – Eu diria que os anos 1960 foram a época mais difícil, em termos de carregar aquele rótulo como um peso. Mas foi curioso porque, enquanto outros eram colocados de escanteio, eu continuei a funcionar e a ganhar a vida muito bem, talvez pelo fato de ser letrista. “My way” marcou a virada para mim, porque deixei de ser um letrista adolescente. Passei a ser o cara que escrevia letras para seu parceiro.

Olhando para trás, tantas pessoas no mundo da música não sobreviveram, mas você, sim. Existe algum segredo?

Paul Anka – Todos nós fazemos escolhas na vida e eu aprendi isso ainda criança, porque ninguém queria me proteger. Eu me fiz sozinho, me cerquei de pessoas boas. Eu via Sinatra e todo aquele pessoal, como eles viviam bem. Aprendi com eles, mas também aprendi com eles o que não fazer: o álcool, as drogas. É a sobrevivência de quem está mais em forma. Passei por isso com Elvis e entendi que esses caras não estavam sabendo lidar com o sucesso e que eu não queria me isolar de quem eu era, de minhas origens.

Você não pensa em se aposentar?

Paul Anka – Não acredito na aposentadoria. Se você olha para a expectativa de vida, hoje, a chave dela é a atividade. Sou uma pessoa que cuida da saúde. Eu sei que preciso da atividade, preciso continuar a fazer o que eu amo.

A inglesa Adele se prepara para o sucesso nos Estados Unidos. (Foto: AP) Adele: ‘Não me tornei artista porque queria ser um símbolo sexual'(Foto: AP)

Londrina de 20 anos lança seu álbum de estréia, ’19’, nos Estados Unidos.’Não me tornei artista porque queria ser símbolo sexual’, defende.

É difícil pensar em Adele, cantora de soul que tem encantado a Inglaterra com seus grandes olhos azuis e vozeirão agridoce, sem se lembrar das outras que vieram antes: Amy Winehouse, Joss Stone, Lily Allen e Duffy. Mas, se as comparações devem ser feitas, seu álbum de estréia, “19”, a coloca em uma posição avantajada em relação às conterrâneas. Adele foi a primeira a ganhar o prêmio de escolha da crítica no Brit Awards antes mesmo de ter um disco lançado.

Os vocais da rechonchuda jovem de 20 anos nascida em Londres são a combinação perfeita para suas canções sobre corações partidos. As letras vão desde cair de amores por um garoto bissexual em “Daydreamer” a pegar o namorado no flagra com outra mulher, a exemplo de “Tired”. Adele está definitivamente traçando seu próprio caminho – e os fãs estão seguindo. Ela se prepara agora para lançar “19” do outro lado do Atlântico.
Leia entrevista a seguir.
P:Você sente que já conquistou a América?
R:Adele – Ainda não. Os Estados Unidos são um país imenso. Foi muita sorte as coisas terem acontecido tão rápido no Reino Unido. Trabalhei muito duro por tudo isso durante um ano e meio, e aí veio o Brit Award, o que me levou ao grande público. É legal vir da Inglaterra com todo esse sucesso, mas ainda preciso trabalhar muito por aqui. Ter de conquistar algo novamente é inspirador.
P:Com o sucesso de Amy Winehouse e Duffy, você acha que está pegando carona na nova onda britânica ou sente que as coisas só dependem de você?
R:Adele – Acho que estou de carona na nova onda britânica. Não acho que esteja aqui por conta própria, de maneira alguma. Há muitas pessoas que vieram antes e muitas outras que virão depois. Acho que peguei o embalo e tenho orgulho de fazer parte disso.

P:O que achou do comentário feito pela cantora de R&B Estelle de que você e Duffy não cantam soul?

R:Adele – Eu realmente não me importo. Entendo o ponto dela, ela não ouve o meu disco e o da Duffy como eu ouço Aretha e Mary. Eu não ouço Estelle como ouço Lauryn Hill, então é a mesma coisa.
P:Você é criticada pelos artistas negros por causa da sua música?
R:Adele – Não recebi nenhuma crítica. Não leio o que sai na imprensa. Se alguém fala algo positivo ou pejorativo, as pessoas vão me contar. Se o Kanye West diz que meu som é legal e a Estelle diz que não, acho que fico com o primeiro. Ela tem razão no sentido de que há tantas garotas loiras de olhos azuis cantando soul. Há milhares de garotas negras e outras tantas brancas que poderiam fazer melhor do que Duffy e eu, mas o ponto é que estamos fazendo isso neste momento. Então apóie, ame, em vez de ser rancoroso.
P:Você declarou ter ficado mais consciente de suas formas nos Estados Unidos. Por que você acha que isso aconteceu?
R:Adele – Acho que é por causa de toda essa coisa de Hollywood que existe aqui. Eu não sei se é porque no Reino Unido e em todo lugar há pessoas acima do peso, abaixo do peso e outras realmente saudáveis, mas aqui é como se todos tivessem a obrigação de ter um bronzeado artificial, um cabelo incrível e dentes branquíssimos para ser famoso. Acho isso um pouco ridículo. E essa imagem que o mundo vê vem de Hollywood. Eu não quero ser desse jeito.
P:Você disse que só vai perder peso quando isso se tornar uma questão de saúde.
R:Adele – É verdade, isso não é uma questão para mim. Não me tornei artista porque queria ser um símbolo sexual, mas sim porque quero ser lembrada daqui a 60 anos como alguém que lançou um grande álbum. Nunca vou me vender. Se perco peso, é sinal de que há algo muito errado na minha vida pessoal. Já li coisas sobre mim do tipo “ela nunca vai conseguir porque é gorda”, mas eu nunca vou encontrar essa pessoa; então por que eu falaria com ela? Por que devo acreditar no que estão dizendo? E, além disso, o meu namorado gosta.
P:E você já fez alguma música sobre ele?
R:Adele – Ainda não. As coisas estão indo muito bem.