Arquivo da categoria ‘heavy metal faz 40 anos’


1 de Junho marca na memória colectiva dos melómanos um momento particularmente especial: a data de lançamento do disco que viria a suscitar todo um movimento, mais tarde elevado a género musical. Ele é Black Sabbath , álbum de estreia da banda com o mesmo nome, que comemora hoje quarenta anos sobre a sua primeira edição.

O colectivo formado por Ozzy Osbourne, Tony Iommy, Geezer Butler e Bill Ward sucedeu à tradição hard-rock de bandas como os Deep Purple, The Who e Led Zeppelin, que muitos afirmam ser elementos primordiais do género que estava para nascer. Mas o som dos Sabbath tinha algo de diferente: denotava uma certa obscuridade, de referencialismos transcendentes, e até satânicos. Na época, os britânicos eram caracterizados como hard rockers. Mais tarde, seria o jornalista e crítico Lester Bangs, alegadamente, o primeiro a utilizar a expressão heavy metal. Até meados de 70, o género viveu um período frutífero, de muita exploração e definição de uma identidade.

Mas, com o advento do punk rock, e poucos anos mais tarde, também os 80’s da pop e da electrónica, o heavy metal viu-se forçado a formular uma reinvenção: comercializou-se, assim democratizando a sua base de apoio. Hoje conhecemos essa fase como hair metal, marcado pela indumentária, os penteados e as baladas, plenas de distorção. De um público essencialmente masculino, ligado a nichos e a práticas marginalizadas, o heavy metal tornou-se, em meados da década, num fenómeno da cultura popular. Surgiram naturalmente, após isso, os movimentos de contra-cultura perante o mainstream , de quem são percussores grupos como os Metallica, Megadeth e Anthrax. Hoje conhecemo-la como speed metal e thrash, embora fortemente referenciada nas raízes do heavy metal, e nos então ultrapassados Sabbath.

Depois destas bandas se popularizarem (a partir de finais da década de 80, princípios de 90), começam a surgir novamente os movimentos de contra-cultura, neste caso o black, death, grindcore ou stoner metal. De então até hoje, o género sofreu uma expansão como nunca antes vista. Não só um crescimento alicerçado na cultura dominante e na adaptação a outros géneros musicais (como sucedeu com o grunge), como também a aceitação comum de um pathos alternativo, um movimento cujas práticas e crenças geravam, ao início, enorme suspeita. Embora nunca admitido consensualmente como um género de ‘primeira linha’, o heavy metal conseguiu finalmente, nos dias de hoje, atingir um nível superior de aceitação, e uma disseminação à escala global.

Regressamos ao começo, ou seja, a Black Sabbath . Felizmente, o disco de estreia (e os que lhe seguiriam) sobreviveu a uma imagem confusa e dispersa do grupo nos 80’s, e ao deterioramento que sofreu a idolatria a Ozzy Osbourne, depois de inúmeros problemas de adição a drogas, e da exposição da sua vida pessoal para fins mediáticos. Quatro décadas volvidas sobre a sua estreia, o disco suplantou o teste do tempo; e 1970 será recordado, em antologias presentes e futuras, como o ano em que o heavy metal nasceu.