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Antes de vocês pensarem que eu estou falando apenas de Jazz (esse não é um blog de música pop?), este disco conta simplesmente com as participações de Pink, Seal, John Legend, Dave Matthews e James Morrison. Acho que agora estamos familiarizados, não?

Pois bem, voltando a Herbie Hancock, ele é daqueles artistas do qual poucas pessoas são capazes de falar sobre sua obra como um todo. Pianista e arranjador, foi integrante da renovação do jazz com a infusão de estilos como o funk e o rock nos anos 60 e 70, junto com lendas como Miles Davis (se não conhece, vale a pena conhecer!). Nos anos 80, foi parar na MTV com um som pop
experimental a base de sintetizadores e um clipe que marcou época.

Nessa década, Herbie quebrou a hegemonia de muitos anos dos discos pop no Grammy ao vencer o prêmio de melhor álbum com River: the Joni Letters, disco dedicado à lenda do folk rock Joni Mitchell. E agora vem com um projeto que busca unificar os estilos de música do mundo, gravando em diversos países com artistas locais, mesclados com estrelas do pop. Uma ambição como essa só caras como Hancock podem suportar!

As estrelas do pop estão à vontade cantando clássicos como Imagine, que abre o disco em um dueto de Pink e Seal. Em um arranjo inusitado, o piano de Hancock abre a música com classe e vai ligeiramente se fundindo com a percussão afro do grupo Konono n°1. Pink e Seal mostram versatilidade nesta versão de John Lennon que demonstra com clareza o que a letra da música diz: imaginar um mundo sem fronteiras.

O Brasil tinha que estar nessa mistura, e vem muito bem representado por Céu, que traz o seu samba esquema novo em Tempo de Amor, talvez a música que mais leva a cara do convidado, com um piano discreto de Hancock. A música foi gravada no Brasil e conta com a banda de Céu fazendo a cama vagarosa para um suíngue de vanguarda.

Outra ótima surpresa vem com a irlandesa Lisa Hannigan, ex-parceira de Damien Rice, realizando uma versão leve e com um toque colonial de “The Times, They’re A’ Changin”, clássico denso de Bob Dylan (utilizado em sua versão original na majestosa abertura do filme Watchmen). Lisa é simples e isso é louvável e raro nos artistas atuais, deixando a letra de Dylan muito mais musical sem a necessidade de um arranjo grandioso.

No mais, o ídolo pop colombiano Juanes aparece em La Tierra com o tempero clássico da américa latina em uma gravação sincera, que foi justamente o que faltou em Dave Matthews com “Tomorrow Never Knows”, canção de influência hindu dos Beatles aqui executada com excessiva produção, em constraste com o clima de jam session do álbum. A aparição experimental de Los Lobos com o incrível grupo Tinariwen (formado por músicos Tuareg, da região desértica do Mali que produzem um estilo musical muito semelhante ao blues) em Tamantant Tilay vale a viagem de um disco que não vai muito longe do jazz, mas que é louvável por tentar abraçar o mundo através da nossa linguagem universal: o som.

O pianista de jazz norte-americano Herbie Hancock
(Foto: Divulgação)

O pianista e músico de jazz americano Herbie Hancock comemora seu 70º aniversário com “The imagine letters”, um álbum e um documentário que serão publicados no dia 21 de junho e no qual colaboraram, entre outros, Elton John, Pink, Seal e Juanes, informou hoje a Sony.

A lista de artistas e canções de “The imagine letters” (Sony Music) será finalizada essa semana. Por enquanto já está definida a colaboração dos cantores Elton John e India Arieh em “Imagine”, Seal e Pink em “Don’t give up” e a banda irlandesa The Chieftains, o guitarrista africano Lionel Loueke e a cantora irlandesa Lisa Hannigan em “The times they are a changin”.

O álbum guarda outras surpresas como “O tempo de amor”, tema no qual colabora a cantora Céu, “Tamatant tilay” com o grupo tuaregue Tinariwen e Damian Marley, filho de Bob Marley; a música “Minha terra”, em que Juanes canta, e “A Change is Gonna Come”, com o jovem cantor inglês James Morrison.

Um documentário gravado nas sessões de estúdio de Herbie Hancock com os artistas e os músicos que participaram do disco completa o projeto

Turnê
Depois da publicação do álbum, Hancock deve ir à Europa para oferecer 25 concertos em uma viagem que, no entanto, começa e termina nos Estados Unidos com um show no dia 24 de junho no Carnegie Hall de Nova York e no dia 1 de setembro no Hollywood Bowl de Los Angeles.

Com “The imagine letters”, Hancock celebra toda vida dedicada ao jazz desde que se apresentou no palco com 11 anos tocando um concerto para piano de Mozart com a Chicago Symphony Orchestra.

Em sua carreira solo ele colaborou com artistas como Chick Corea, Oscar Peterson, Stevie Wonder, Sting, Annie Lennox e Paul Simon.

O músico americano, ícone do jazz, foi agraciado com um Oscar em 1986 pela música do filme “Por volta da meia-noite” (1986) e seis Grammys.

A cantora Céu participa do disco do jazzista Herbie Hancock. (Foto: Divulgação)
O ícone do jazz Herbie Hancock reuniu mais um elenco estelar para dar seguimento multimídia a sua homenagem a Joni Mitchell, pela qual recebeu um Grammy. Entre os colaboradores está a brasileira Céu.

O álbum “The imagine project” pretende unir “uma miríade de culturas através da canção e da expressão criativa positiva”, segundo comunicado. Os colaboradores incluem a cantora pop Pink, o guitarrista Jeff Beck, a citarista indiana Anoushka Shankar, o grupo folk irlandês The Chieftains e o roqueiro colombiano Juanes.

O álbum autofinanciado será lançado em 22 de junho pelo selo próprio do pianista, Hancock Records, e será divulgado com uma turnê mundial descrita por uma porta-voz como “extensa”. Já foram marcadas datas de alguns dos shows: no Carnegie Hall, em Nova York, em 24 de junho, e no Hollywood Bowl em 1o de setembro.

Hancock acumulou muita milhagem aérea na tentativa de gravar cada canção no país de origem de seu colaborador. O documentarista premiado com o Oscar Alex Gibney (“Um táxi para a escuridão”) o acompanhou nas viagens, gravando imagens para uma potencial exposição online e em um filme.
Ele viajou a Mumbai para gravar com Shankar a faixa “The song goes on”, que também inclui a cantora de R&B Chaka Khan, o saxofonista de jazz Wayne Shorter e um grupo de músicos indianos.

Hancock e Shorter se reencontraram em Londres para gravar com Beck, Pink e Seal um cover de “Don’t give up”, de Peter Gabriel. Outras escalas incluíram Paris, para gravações com Beck e os músicos africanos Tinariwen, Oumou Sangare, Lionel Louke e Kinono No. 1; Dublin, para gravar com The Chieftains; Miami, com Juanes, e São Paulo, com a cantora brasileira Céu.

Além dos vocais da artista paulistana, a sessão teve participação do multiinstrumentista Curumin na bateria, do baixista Lucas Martins e do percussionista Rodrigo Campos.

Também foram recrutados o roqueiro Dave Matthews e o casal de guitarristas de blues Derek Trucks e Susan Tedeschi.

Hancock, que completa 70 anos em abril, foi o vencedor inesperado do Grammy de álbum do ano, em 2008, por “River: The Joni Letters”, lançamento que passara relativamente despercebido e que incluía participações da própria Joni Mitchell, Leonard Cohen, Tina Turner, Corinne Bailey Rae, Luciana Souza e Norah Jones, esta meia-irmã de Anoushka Shankar.