Arquivo da categoria ‘Lançamentos’

VÁRIOS ARTISTAS – “LISTEN UP! – DISCO OFICIAL DA COPA DO MUNDO DE 2010”Várias Artistas – ‘Listen up!’ (Foto: Divulgação / Sony
Music)
Trilha sonora de evento oficial no continente mais “exótico” para o imaginário ocidental – a álbum oficial da Copa do Mundo de 2010 tinha tudo para ser uma picaretagem musical. Mas, boa surpresa, até que se sai bem na hora de misturar talentos europeus e americanos com artistas africanos. Não tão bem quanto a cerimônia de abertura do evento (que foi de Tinariwen a BLK JKS), mas consegue abrir bastante o leque do que pode ser considerada “música africana” sem comprometer a diversão.

A reconstrução de “Move on up” de Curtis Mayfild, por Angelique Kidjo e John Legend ficou primorosa, enquanto Shakira bota o mundo para dançar novamente ao sim de “Waka waka”, ao lado do Freshlyground. Mas é claro que nem tudo sai como o planejado, e momentos mais entediantes surgem com “One day”, de Matisyahu com o cantor Nameless e em “Shosholoza 2010”, com uma legião de artistas. A brasileira Claudia Leitte dá uma prévia de 2014 em “As máscaras”, e deixa o ouvinte pensando sobre o que esperar da trilha da Copa no Brasil. (AMAURI STAMBOROSKI JR.)

U2, “360º AT THE ROSE BOWL” (Universal)U2 – ‘360º at the Rose Bowl’ (Foto: Divulgação /
Universal)
Já faz alguns anos que o U2 vem abusando da (desgastada) fórmula álbum + turnê + DVD. Seguindo essa linha, chega às lojas agora “U2 360º At The Rose Bowl”, registro do show realizado em 2009 para 100 mil pessoas no estádio Rose Bowl, em Los Angeles — mesmo lugar onde aconteceu a final da Copa do Mundo dos Estados Unidos, entre Brasil e Itália, em 1994.

Filmado em película, o que deixa a apresentação muito próxima de uma experiência cinematográfica, o DVD traz 23 canções, entre músicas do último álbum, “No line on the horizon” (“Magnificent”, “Unknown caller”), e clássicos (“Sunday bloody sunday”, “With or without you”, ”The unforgettable fire”), além de material menos óbvio (como “City of blinding lights”, de “How to dismantle an atomic bomb”, de 2004). Entre os destaques, estão uma versão acústica para “Stuck in a moment you can’t get out of” e “Walk on”, dedicada à Aung San Suu Kyi, prêmio Nobel da Paz e líder do movimento democrata birmanês, que cumpre prisão domiciliar.

Mas o que mais impressiona mesmo neste show é o palco planejado pelo arquiteto Mark Fisher. Montado no centro do estádio, se assemelha a uma gigantesca aranha, com pernas esparramadas sobre o público, e permite que a banda possa ser vista por todos os ângulos. Um telão oval, suspenso sobre a banda, exibe detalhes de Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen em ação, além de animações e mensagens que dialogam com o espetáculo. (HENRIQUE PORTO)

MILEY CYRUS – “CAN’T BE TAMED”Miley Cyrus – ‘Can’t be tamed’ (Foto: Divulgação /
Universal)

Pelo nova atitude e pelos figurinos escandalosos usados no palco, era de se esperar que Miley Cyrus – às vésperas da maioridade – refletisse a revolta adolescente em um ousado novo álbum, aproveitando o título “Can’t be tamed” (“Não podem me domar”). Mas o caso é que o disco junta o mais chato do dance pop de Lady Gaga com o que há de menos interessante no R&B pré-pubescente de Justin Bieber.

A faixa título poderia soar musicalmente provocativa em 2002, mas hoje só parece uma sub-Christina Aguilera. Encharcada com distorção nos vocais, “Permanent december” é R&B para garotas que ainda se vestem apenas de rosa. As baladas, como “Every rose has its torn”, carregam a mesma dose de melado de sempre. O disco não é um desastre, e quando Cyrus resolve apontar para o dance retrô do Abba com “Two more lonely people” se dá muito bem. (ASJ)
EASY STAR ALL-STARS – “EASY STAR’S LONELY HEART DUB BANDEasy Star All-Stars – ‘Easy Star’s Lonely Heart Dub
Band’ (Foto: Divulgação)

Os nova-iorquinos do Easy Star All-Stars, famosos por seus álbuns covers, atacam com mais uma homenagem. Desta vez escolheram “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, obra-prima dos Beatles que dispensa apresentações.

Diferente das versões dub de “The dark side of the moon”, do Pink Floyd, e “OK Computer”, do Radiohead, em que ampliaram os horizontes dos dois repertórios, em “Sgt. Pepper’s” acontece justamente o contrário: as canções ficam limitadas ao universo reggae sem muita originalidade.

Há bons momentos, como em “Within you without you”, “Fixing a hole” e “When I’m sixty four”, que foram extendidas em versões mais abstratas. Alguns arranjos de metais também se destacam, mas o resultado fica muito aquém dos tributos anteriores. (HP)
Fonte:G1

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Publicado: maio 14, 2010 em Lançamentos

‘NIGHT TRAIN’
KEANE
UNIVERSAL

Keane – “Night Train” (Foto: Reprodução)
O Keane, apesar de não ter o sucesso comercial de um Coldplay ou mesmo de um The Killers, é uma banda que não merece ficar em segundo plano. A cada disco, o grupo consegue produzir um número de três a quatro ótimas músicas – senão, hits. “Perfect symmetry”, de 2008, é um exemplo. Longe das baladas melancólicas dos primeiros dois CDs, a banda surpreendeu ao usar sintetizadores e bateria eletrônica. E foi algo positivo.

Em “Nigh train”, que traz uma mudança ainda maior, acontece logo o oposto. Ao longo de oito músicas, o grupo soa sem identidade, como nas parcerias com o rapper K’Naan (“Stop for a minute” e “Looking back”) e a cantora japonesa Tigarah (“You’ve got to help yourself). Em certo momento há até um trecho de “Eye of the Tiger”. Tamanha globalização pode ser explicada devido as gravações terem sido feitas durante a turnê mundial de “Perfect symmetry”. E o grupo ainda consegue se safar com a desculpa de ‘Night train” ser um EP, ou seja, não pode ser considerado um novo álbum de fato. (GUSTAVO MILLER)

‘RISE UP’
CYPRESS HILL
EMI
Cypress Hill – “Rise up” (Foto: Reprodução)
Seis anos depois do último disco de estúdio, “Till death do us apart”, o Cypress Hill volta a um cenário diferente com “Rise up”. O novo álbum, primeiro do grupo depois de contratados pelo selo do rapper Snoop Dogg, chega em um momento em que os EUA pegam leve com a maconha (droga favorita do Cypress Hill, tema de diversas músicas ao longo da carreira) mas pesado com os imigrantes latinos –de ascendência cubano-mexicana, os rappers chegaram a cancelar shows no Arizona após uma controversa nova lei local contra imigrantes ilegais.

O grupo se mostra bem atualizado com os dois temas, seja com novos hinos ao consumo de marijuana, como “Light it up” e “K.U.S.H.”, seja levantando a cabeça contra as novas opressões com a agressiva “Shut’em down” (ao lado de Tom Morello, guitarrista do Rage Against The Machine) e afirmando a latinidade com a ensolarada “Armada Latina” (com sample de Crosby, Stills Nash & Young). Com tantas faixas divertidas, dá até para perdoar a xarope “Carry me away”, com Mike Shinoda, do Linkin Park. (AMAURI STAMBOROSKI JR.)
Fonte:G1

SLASH – “SLASH”
Enquanto Axl contrata e demite quase-famosos como quem troca de camisa, Slash vem colaborando com alguns dos melhores nomes do rock desde que deixou o Guns, em 1996, e formou o Velvet Revolver. Em seu primeiro disco solo desde então, desfilam uma lista de roqueiros vips que formariam fácil um best of do gênero. E por décadas. Tem Ozzy, Iggy Pop, Lemmy, Ian Astubry, Chris Cornell e Dave Grohl, além de outros comparsas de Guns como Izzy Stradlin e Duff McKagan. Mesmo o projeto sendo seu, o que chama atenção nessas colaborações é a generosidade de Slash em deixar que as características de cada um desses artistas aflorem normalmente, colocando seus riffs e solos inconfundíveis sempre a serviço da composição – e não o contrário. Versátil, passeia como um bom anfitrião pelo blues, pelo (nu)metal, pelo punk e até pelo pop mela-cueca, mas é na hora do hard rock que o velho “guitarrista da cartola” se revela: “By the sword”, com Andrew Stockdale, vocalista do Wolfmother, e “Back from Cali” e “Starlight”, ambas com Myles Kennedy, que deve acompanhar Slash na turnê nos vocais, são de longe os melhores momentos do álbum, os mais… Guns?! (DIEGO ASSIS)Gravadora: EMI

NICK JONAS AND THE ADMINISTRATION – “WHO I AM”
A jaqueta de couro e cara fechada na capa denunciam que Nick Jonas, o caçula dos ídolos teen Jonas Brothers, quer ser levado a sério. Nick Jonas & The Administration, seu projeto solo, mira em uma imagem associada a cantores-compostitores como Bruce Springsteen e Elvis Costello – em alguns momentos ele quase imita o “The Boss” Sprinsgteen cantando com a voz rouca. Apesar de por vezes ficar mais próximo de malas como John Mayer, o disco indica que talvez o jovem Jonas tenha salvação. Escorregadas como o hard rock “Conspiracy theory” comprometem, ao lado do som padronizado de rock adulto de FM, mas faixas bem intencionadas como “Stronger” merecem seu crédito. (AMAURI STAMBOROSKI JR.)Gravadora: Universal

STRIKE – “HIPERATIVO”
De todos os gêneros de rock que dominaram os CD players adolescentes dos anos 90 o hardcore californiano para skatistas é um dos mais desprezados pelos críticos musicais. O Strike é um dos exemplares do estilo que segue miraculosamente fazendo relativo sucesso nos anos 00 adentro. Se o Charlie Brown Jr. já provou que rock tatuado não quer dizer rebeldia real, não é o Strike que vai mudar essa percepção. O cardápio é o de sempre: guitarras distorcidas e rápidas, letras sobre curtição (com alguns momentos mais sentimentais, herdados dos emos) e um componente extra de “groove” branquelo. Funciona melhor para quem tem 15 anos e nenhuma preocupação, inclusive a de ler esta resenha. (ASJ)Gravadora: Deckdisc

THIAGO PETHIT – “BERLIM, TEXAS”

Mal estreou na música, Thiago Pethit já “ganhou” adjetivos de peso – foi comparado a Tom Waits, Kurt Weill, Lou Reed. Ainda que as referências sejam assumidas e façam algum sentido – o do climão de cabaré, em especial -, a verdade é que “Berlim, Texas” (eis outra citação nada modesta, o cult “Paris, Texas”, de Wim Wenders) tem parentesco com outros artistas, talvez, menos estrelados do que esses. “Não se vá”, “Mapa-múndi” ou “Outra canção tristonha” lembram bem Los Hermanos ou, especialmente, Marcelo Camelo em fase solo; “Sweet funny melody”, “Birdhouse” e “Voix de ville” remetem a um indie-folk com toques de vaudeville bem atual, de nomes como Damien Rice, Andrew Bird e Beirut. Não se trata de cópia, é provável, mas de afinidade de princípios. O que une todos a Pethit, e que melhor define a viagem do brasileiro neste disco de estreia, é a andança constante em busca de sonoridades, timbres e sentimentos que ainda pareçam genuínos na era do pop fabricado em estúdio. Resta saber onde, e se, ele vai estacionar. (DA)Gravadora: independente

SHE & HIM – “VOLUME 2”
Com seus grandes olhos azuis e longos cílios, voz de veludo e senso fashion vintage, Zooey Deschanel, a “she” (“ela”, em inglês) da dupla She & Him é a perfeita musa indie retrô. Atriz de papeis pop (“500 dias com ela”, “Quase famosos”) e casada com Bem Gibbard, da banda Death Cab For Cutie, ela também goza de relativo sucesso na música, com sua releitura folk do som dos girl groups dos anos 60. A sua mistura do romantismo de Dusty Springfield e melodias ensolaradas dos Beach Boys em versão desplugada (arranjada e tocada pelo folkboy M. Ward, a contraparte masculina do duo) não é novidade – na verdade, parece dever um tanto a grupos como o escocês Camera Obscura. O que não tira o brilho, a leveza e o sentimento de verão eterno de músicas como “In the Sun” e “Home”. (AMAURI STAMBOROSKI JR.)Gravadora: Merge

CHARLOTTE GAINSBOURG – “IRM”
A voz não é o maior trunfo de Charlotte Gainsbourg – atriz singular, que mostrou brilhantismo em ‘Anticristo’. Mas o canto quase apagado da artista franco-britânica vai bem com certos arranjos, desenvolvidos por parceiros escolhidos com esperteza. Foi assim no álbum de estreia, “Lemon incest” (1986), produzido pelo paizão Serge Gainsbourg, e mais tarde em “5:55” (2006), com colaboração do Air. Em “IRM”, é Beck quem envolve o timbre suave de Charlotte em bases que vão da chanson moderninha (“Master’s hand”) ao rock pesado (“Tricky Pony”). Algumas das faixas podem até soar mais pop – caso de “Heaven can wait” – mas é o experimentalismo que norteia o disco. Ele aparece nos arranjos de cordas de “Vanities” e “Time of the assassins”, e na percussão de “Voyage”. Sobre a modelo que estampa a capa de “IRM”, não se engane: é mesmo o rosto de Charlotte captado em ângulo que a deixou idêntica a Carla Bruni.
(DOLORES OROSCO)Gravadora: Warner

STACEY KENT – “RACONTE-MOI”
Em “Raconte-moi” (“Conte-me”), a cantora norte-americana Stacey Kent deixou o jazz um pouco de lado e se aventurou pela canção francesa em um lançamento do tradicional selo Blue Note. Valeu correr o risco. O resultado é um disco essencialmente delicado, elegante e cheio de classe. Sob arranjos bem acabados de autoria do marido, o saxofonista Jim Tomlinson, a voz macia de Stacey Kent, que viveu e estudou em Paris, encontra a base para criar uma atmosfera intimista, bem ao estilo da chamada “chanson française”. Fã da música brasileira, ela já havia gravado Vinícius de Morais em disco anterior e, neste, incluiu uma interessante versão em francês de “Águas de março” (“Les eaux de mars”), de Tom Jobim, entre clássicos de Paul Misraki, Georges Moustaki, Henry Salvador e composições de autores franceses contemporâneos É presente infalível para a namorada. (FAUSTO SIQUEIRA)Gravadora: EMI

KISS – “KISSOLOGY VOL. 3”
Mais de dois anos depois do seu lançamento no mercado internacional, o último volume da trilogia ‘Kissology’ finalmente chega ao Brasil. Para quem é fã da banda, capítulo obrigatório na cartilha do hard rock, a espera é recompensada com mais de dez horas de preciosidades. Espalhados pelos cinco DVDs que compõem o box estão nove shows diferentes, incluindo a passagem da banda por São Paulo no Monsters of Rock de 1994, a apresentação no Acústico MTV em agosto de 1995 e o primeiro show da Alive/Worldwide Tour, em junho de 1996, em Detroit, que marcou oficialmente a primeira reunião em 17 anos de Paul Stanley e Gene Simmons com Ace Frehley e Peter Criss, integrantes da formação original da banda. Foi nessa turnê também, em que tocou praticamente só clássicos do repertório dos anos 70, que o Kiss voltou a se apresentar com sua marca registrada: os rostos maquiados e os figurinos espalhafatosos, abandonados no início dos 80. Para os ‘kissólogos’ mais dedicados, o pacote traz ainda outra raridade, a primeira gravação – com imagens toscas e em preto-e-branco – da banda ao vivo, em um show em Nova York em 1973. (DIEGO ASSIS)Gravadora: ST2

GROOVE ARMADA – “BLACK LIGHT”
A máquina do tempo da cena pop mandou mais uma banda para uma viagem aos anos 80. Depois do Yeah Yeah Yeahs, é a vez do Groove Armada apostar nos teclados, nos efeitos de distorção e nos vocais que lembram Eurythmics e Tears for Fears no superdançante “Black light”. Não à toa, Bryan Ferry (Roxy Music) está entre os convidados que cantam sob as bases eletrônicas de Andy Cato e Tom Findlay, em “Shameless”. Especialista em projetar novos cantores, a dupla de produtores coloca em evidência Jessica Larrabee, do duo roqueiro She Keeps Bees. Com um vozeirão que lembra Patti Smith, a moça embala a ótima faixa de abertura, “Look me in the eye sister”, além de “Just for tonight” e “Time & space”. Ironicamente, é com um álbum de perfume vintage que o Groove Armada dá sua contribuição à música eletrônica, que há tempos passa por entressafra. (DOLORES OROSCO)Gravadora: Music Brokers

VÁRIOS ARTISTAS – “AN EDUCATION – ORIGINAL MOTION PICTURE SOUNDTRACK”

Natural que num filme com roteiro assinado por Nick Hornby (“Alta fidelidade”), a trilha sonora seja caprichada. E se em “Educação” a inglesinha Carey Mulligan encanta como a fofa Jenny – em performance que lhe valeu até indicação ao Oscar – boa parcela desse charme se deve às músicas que embalam suas cenas. A atriz canta junto com Juliette Greco “Sur les quais du vieux Paris”, dança o rock cinquentinha de Brenda Lee com “Sweet nothin’s”, e seduz ao som de “Comin’ home baby”, de Mel Torme. Há nomes atuais na seleção, embora sejam o de duas jovens cantoras que vivem de passado: Duffy (“Smoke without fire”) e Beth Rowley (“You got me wrapped around your little finger”). Os instrumentais não ficam de fora e o ponto alto é “Since I fell for you”, do pianista Vince Guaraldi, compositor das canções do desenho animado do Snoopy. (DO)Gravadora: Universal

HOT CHIP – “ONE LIFE STAND”

Desde 2004, quando lançou o seu primeiro álbum, “Coming on strong”, o Hot Chip vem apresentando mudanças significativas em sua sonoridade. “One life stand”, o quarto disco da banda britânica, pode causar certo estranhamento aos fãs de “Made in the Dark” (2008), mas já valeria por uma música, apenas. A contagiante faixa-título remonta à malemolência dos primeiros discos do grupo sem deixar de apontar novas direções. De fato, o próprio Alexis Taylor declarou que o trabalho, em relação aos anteriores, havia sido feito com mais tempo. Apesar de carregar nos sintetizadores em algumas faixas ou em outros momentos resvalar no kitsch – como acontece na balada “Slush” -, “One life stand” gruda no ouvido com boas melodias. (LN)Gravadora: EMI

MASSIVE ATTACK – “HELIGOLAND”
O quinto álbum de estúdio do Massive Attack, “Heligoland”, faz a espera de sete anos desde “100th Window” (2003) ter valido a pena. Logo na faixa de abertura, “Pray for rain”, com participação de Tunde Adebimpe, do TV On The Radio, a banda deixa clara a vontade de se atualizar, mas sem apelar para concessões. O clima sombrio é o cartão de visitas perfeito para as nove faixas seguintes. A cantora Martina Topley-Bird, por exemplo, é quem conduz “Babel”. A vocalista inglesa que ficou conhecida pelas parcerias com Tricky aparece ainda em “Psyche”, duas das faixas mais “pop” do álbum, se é que se pode chamar assim. A coisa realmente esquenta quando o veterano Horace Andy dá as caras. O jamaicano, que canta com Grant Marshall e Robert Del Naja no single “Splitting the atom”, supera as expectativas na densa “Girl I love you”. (LÍGIA NOGUEIRA)Gravadora: EMI

RINGO STARR – “Y NOT”
Existe uma teoria que diz que Ringo Starr era o Beatle mais importante. É de se pensar, afinal ele não tinha nada que justificasse sua posição no meio de tantos gênios. Ringo é o representante do homem comum e sem tantos talentos chegando ao topo do mundo. “Y not” é o 15º disco solo do narigudo baterista, e não deve decepcionar aqueles que sabem o que procurar em um disco dele. Afinal, Starkey não é grande compositor, menos ainda cantor, mas sabe agradar quem gosta de um bom folclore. A produção do álbum soa um tanto datada. Não datada pelos anos 60, e sim como uma indesculpável aura musical da década de 80. Ainda assim, rende momentos de beleza, como “Walk with you”, ou puras besteiras divertidas, como “Who’s your daddy”.(AMAURI STAMBOROSKI)Gravadora: Universal

BLUR – “ALL THE PEOPLE”
Com tantas voltas, turnês semi-caça-níqueis e relançamentos especiais, já está ficando fácil declarar em público que o indie rock é o novo classic rock – no fundo, a única diferença entre os fãs do Pavement e do Queen é a de idade. Claro que ninguém vai ficar reclamando de poder ver finalmente ao vivo o Dinosaur Jr. com sua formação original, mas um Blur da vida, que já era grande nos 90, não pode alegar nenhum motivo que não monetário para a reunião. Apesar do momento “crítico rabugento”, não dá para diminuir a emoção de ouvir “Tender” cantada pela multidão reunida no Hyde Park em Londres em julho do ano passado. Ainda no quesito “todo mundo junto agora”, o início de “End of a century” tem clima de nostalgia e o encerramento com “The universal” é perfeito. O repertório passa por toda a carreira, tendendo um pouco para o ótimo “Modern life is rubbish”. Eles podem tirar nosso dinheiro, mas sabem fazer isso com estilo. (ASJ)Gravadora: EMI

PAUL MCCARTNEY – “GOOD EVENING NEW YORK CITY”
Entre as dezenas (ou até centenas) de tradições que os Beatles instituíram na cultura pop, uma das mais repetidas e ao mesmo tempo repudiadas são os shows em grandes estádios. Os Fab Four inauguraram a era dos megaconcertos com um show no dia 15 de agosto de 1965 no Shea Stadium, em Nava York, para mais de 55 mil pessoas. Mais de quarenta anos depois, o baixista Paul McCartney reviveu seus dias de Beatle tocando no Citi Field, nova versão do Shea, e transformou o show em um CD duplo e DVD. Nada bobo, sir Paul ocupou mais da metade do repertório com canções dos Beatles, misturando algumas que ficaram clássicas após o show do Shea (como “I’m down”) com outras que os Fab Four nunca tocaram ao vivo, como “Lady Madonna”. Sobra espaço para homenagens a dois ex-colegas de banda mortos – John Lennon com “A day in the life” acompanhada de “Give peace a chance” e George Harrison com “Something”. Claro que o show não fica só em Bealtes, e ao lado de faixas mais icônicas da carreira solo de Macca, como “Live and let die” e “Band on the run”, vem músicas mais recentes, como “Only mama knows”. (AMAURI STAMBOROSKI JR.)Gravadora: Universal