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Clube da Esquina

Publicado: junho 3, 2008 em Movimento Musical

Flávio Venturini, Wagner Tiso, Lô Borges, Paulinho Carvalho, Beto Guedes, e Toninho Horta.

Clube da Esquina foi um movimento musical nascido na década de 1960 em Minas Gerais. Considera-se que seus principais participantes tenham sido Tavinho Moura, Wagner Tiso, Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Flávio Venturini, Toninho Horta, Márcio Borges, Fernando Brant e os integrantes do 14 Bis, entre outros.
O Clube da esquina surgiu da grande amizade entre Milton Nascimento e os irmãos Borges (Marilton, Márcio e Lô), na Belo Horizonte dos anos 60, depois que Milton chegou na capital pra estudar e trabalhar. Milton acabara de chegar de Três Pontas, cidade onde morava a familia e onde tocava na banda W’s Boys com o pianista Wagner Tiso; com Marilton foi tocar na noite, no grupo Evolussamba. Compondo e tocando com os amigos, despontava o talento, pondo o pé na estrada e na fama ao vencer o Festival de Música Popular Brasileira e ao ter uma de suas composições, “Canção do sal”, gravada pela novata Elis Regina.
Aos fãs dos Beatles e The Platters novos integrantes vieram juntar-se: Flávio Venturini, Vermelho, Tavinho Moura, Toninho Horta, Beto Guedes e o letrista Fernando Brant. O nome do grupo foi idéia de Márcio que ao ouvir a mãe perguntar dos filhos, ouvia a mesma resposta: “Estão lá na esquina, cantando e tocando violão.” Em 1972 a EMI gravou o primeiro LP, Clube da Esquina, apresentando um grupo de jovens que chamou a atenção pelas composições engajadas, a miscelânea de sons e riqueza poética.
Todos os seus integrantes engajaram numa carreira solo de sucesso, além da formação do grupo 14 Bis, que também fez muito sucesso desde a crição de O Terço.

Discografia
Clube da Esquina (1972)
Clube da Esquina 2 (1978)

Referências bibliográficas
BORGES, Márcio; Os sonhos não envelhecem, histórias do Clube da Esquina. Editora Geração Editorial

História

(O clube da Esquina)
OS FUNDADORES DO CLUBEAo comentarmos o que aconteceu com a música popular brasileira logo depois dos festivais, a maioria das pessoas se lembra da Tropicália e nos diversos baianos que até hoje descem ao sul em busca do sucesso. Mas antes mesmo que os baianos descessem os mineiros davam um ”pulinho ali” no eixo Rio-SP. Ou mesmo desencadeavam o processo na própria ”Capital das Alterosas”, como aconteceu com uma turma chamada de Clube da Esquina.Vindo de Três Pontas em busca de trabalho na capital, Milton Nascimento vai parar numa pensão no terceiro andar do edifício Levy, onde também reside a família Borges. Certo dia Lô, ainda garoto, descendo as escadas escuta a voz de Milton acompanhada ao som do violão, fica enfeitiçado. Milton tocava nas noites junto com seu amigo de Três Pontas, Wagner Tiso no conjunto Evolusamba, no qual fazia parte também o irmão mais velho dos Borges, Marilton.Sendo assim, ensaiavam com freqüência na casa dos Borges, onde ficou conhecendo toda a família. Por forças do destino Milton criaria uma forte amizade com Márcio Borges, talvez por terem os mesmos sonhos a mesma sensibilidade. Suas vidas iriam mudar após assistirem a um filme françês chamado ”Jules et Jim”. Saíram do cinema com uma inspiração compulsiva, queriam criar coisas bonitas como as acabaram de ver. Daí em diante passaram a compor canções que iriam impulsionar o Clube que começava a surgir.Enquanto isso Lô crescia em meio a todos aqueles acordes, estudava harmonia com Toninho Horta, e acabou conhecendo um novato que mudou-se de Montes Claros para morar pelas redondezas, e que atendia pelo nome de Beto Guedes. Depois de algumas brigas por causa de um patinete os dois montaram um conjunto inspirado nos Beatles – os Beavers – chegando inclusive a tocar numa rádio de Belo Horizonte.O clube aumentava na medida em que a situação política no país se deteriorava. Veio o golpe de 64 e com ele a repressão e a insatisfação social. Milton compôs uma música com Fernando Brant, figura que passaria a ser forte parceria em suas composições. Milton inscreveria esta música num festival com o nome de Travessia. Daí em diante começaria a levantar um vôo tímido ao estrelato, levando com ele toda a constelação de integrantes do Clube da Esquina.Pelos nomes, a esquina da Rua Divinópolis com a Rua Paraisópolis deveria ser celestial. Não é. Nada de especial, apenas uma parede boa para recostar-se e tocar violão, num cruzamento tranquilo do bucólico bairro de Santa Teresa. Mas para alguns fãs de música brasileira, aquele ponto da capital mineira é reverenciado como um templo. Foi ali que Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges fundaram o Clube da Esquina, espécie de irmandade ligada à base de música, política, amizade e doses industriais de álcool.Hoje, décadas depois do lançamento do histórico disco clube da esquina, expressão que se tornaria sinônimo de um rico veio da música mineira. Lô, Milton, Márcio, Fernando Brant, Beto Guedes e outros músicos que participaram do clube ganharam alguns centímetros na barriga e perderam outros tantos no cabelo, mas muitas de suas canções continuam em plena forma. Mais uma prova de que os sonhos não envelhecem.

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