Arquivo da categoria ‘Patti Smith’

Ganhador de um dos mais respeitados prêmios literários dos Estados Unidos, “Só Garotos” é uma jóia rara na categoria de “não-ficção”. Sob o pretexto de reconstituir os anos de formação da roqueira Patti Smith e do fotógrafo Robert Mapplethorpe (1946-1989), o livro trata, na verdade, de expor uma delicada história amor, amizade e cumplicidade. Mesmo que você não os conheça ou não tenha apreço maior pelo trabalho deles, vai se encantar com a leitura.

Fã de Rimbaud e Bob Dylan, Patti Smith influenciou uma geração de roqueiros, de Bono Vox a Michael Stipe, em especial com o impressionante “Horses”, seu disco de estreia, lançado em 1975. A capa do LP traz a artista numa das poses mais famosas do mundo do rock – de camisa branca, com o casaco jogado sobre o ombro, cabelo não muito longo, olhar superior, quase um rapaz.

A história de como Mapplethorpe fez esta foto é uma das últimas que Patti Smith conta em “Só Garotos”. O livro acaba justamente antes dos dois ficarem famosos, um pouco como Bob Dylan fez no seu “Crônicas – Volume Um”.

De forma cronológica, Patti Smith descreve o encontro acidental de dois jovens que sonhavam ser artistas, totalmente perdidos, em Nova York, no final dos anos 60. E como, graças a relação especial que estabeleceram, acabaram descobrindo como canalizar as respectivas energias criativas.

No caso de Mapplethorpe, o período de formação inclui também a descoberta da própria homossexualidade e o esforço para “sair do armário” num ambiente carregado de preconceito.

O fotógrafo, que se tornaria famoso por suas imagens de corpos masculinos nus, e que causaria polêmica com a documentação do universo sado-masoquista, sonhava ser artista plástico ao chegar a Nova York. Patti Smith gostava de literatura, escrevia poemas, fez colagens e se arriscou até como atriz nos seus anos iniciais na cidade.

Com pouquíssimo dinheiro, ambos dividiam tudo. Na fase mais dura, quando queriam ver alguma exposição, apenas um entrava no museu e, na volta, contava o que viu para o outro. Mapplethorpe chegou a se prostituir para conseguir algum dinheiro.

O casal morou por algum tempo no Chelsea Hotel, célebre por abrigar artistas iniciantes, em final de carreira ou, simplesmente, sem dinheiro algum. Lá Patti Smith conheceu vários de seus heróis, como William Burroughs, Allen Ginsberg, Janis Joplin, Jimi Hendrix, entre outros. Aproximou-se do círculo de Andy Warhol. Teve um caso com Sam Shepard e chegou a escrever uma peça em parceria com o dramaturgo.

“Só Garotos” acaba sendo, também, uma descrição desta cena nova-iorquina – um período de muitas descobertas, por causa das drogas, liberdade sexual e loucura. Patti Smith fala de dezenas de pessoas, talentosas, que ficaram pelo caminho. Ela se considera uma “sobrevivente” – e, no fundo, o relato do seu livro é também uma homenagem a estes artistas, em primeiro lugar a Mapplethorpe, morto em consequência da Aids.

A surpresa maior do livro é o tom que Patti Smith encontra para narrar todas estas histórias. Sem se vangloriar de seus feitos, honesta ao falar da sua falta de sensibilidade em alguns episódios incríveis que viveu, generosa ao dividir os holofotes com Mapplethorpe, a roqueira olha para trás com carinho e sensibilidade.

Ao receber o National Book Awards, agora em novembro, Patti Smith lembrou o seu primeiro emprego em Nova York, no final dos anos 60, como vendedora de livraria: “Sempre sonhei em escrever um livro. Quando eu desempacotava os vencedores do National Book Awards e os colocava nas estantes, imaginava como iria me sentir se ganhasse o prêmio”.

Tomara que “Só Garotos” (Companhia das Letras, 278 págs., R$ 39) seja só o primeiro capítulo da história.

Em tempo: A Rádio UOL produziu uma playlist especial com grandes momentos da pioneira do punk e do rock alternativo, do clássico “Horses” aos dias atuais. Pode ser ouvida aqui

Fonte:UOL-por Mauricio Stycer

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           A cantora e compositora Patti Smith (Foto: Reuters).

A roqueira Patti Smith ficou entre os grandes vencedores na cerimônia de entrega do Prêmio Nacional do Livro (National Book Awards) dos Estados Unidos, na úlima quarta-feira (17), por seu livro de memórias “Só garotos”. Ela recebeu o prêmio em lágrimas e pediu que as editoras não deixem a tecnologia acabar com os livros tradicionais.

Tom Wolfe, autor de best-sellers como “A fogueira das vaidades”, “Os eleitos” e “O teste do ácido do refresco elétrico”, venceu a medalha pela contribuição às letras norte-americanas.

Jaimy Gordon superou autores como Peter Carey e Nicole Krauss ao ganhar o prêmio na categoria de ficção por “Senhor de Misrule”, publicada pela McPherson & Co.

A noite teve espaço para piadas sobre a condição atual da indústria editorial de livros, que está vivendo um período conturbado com o surgimento do mercado de livros eletrônicos.

“Nunca abandonem o livro”
Smith, uma cantora-compositora e poeta norte-americana de 63 anos, se emocionou ao receber o prêmio de não-ficção por “Só garotos”, sobre suas dificuldades durante a juventude e o relacionamento com o fotógrafo americano Robert Mapplethorpe.

“Não existe nada mais belo que um livro, o papel, a fonte, o tecido”, disse Smith, cujo livro foi publicado pela Ecco, da HarperCollins. “Por favor, não importa o quanto avancemos tecnologicamente, por favor nunca abandonem o livro”.

Wolfe, de 79 anos, um dos defensores do estilo “novo jornalismo” nos anos 1960, lembrou de seus primeiros trabalhos de reportagem e deu o conselho aos futuros romancistas: “Primeiro, deixe o prédio e depois sente para escrever”.

Mulheres
O prêmio de poesia foi para Terrance Hayes por sua quarta coleção “Lighthead”, da Penguin Books.

Kathryn Erskine venceu o prêmio de literatura para jovens, por “Mockingbird”, publicada pela Philomel Books, da Penguin Young Readers Group.

Na lista de um dos prêmios literários mais importantes dos Estados Unidos estavam 13 mulheres entre os 20 finalistas. Segundo a Fundação Nacional do Livro norte-americana foi o maior número de mulheres indicadas na história da premiação. Cinco finalistas disputam cada uma das quatro categorias, e o vencedor recebe US$ 10 mil.

Homenagem a Patti Smith

Publicado: março 23, 2010 em Patti Smith

A cantora Patti Smith, considerada uma pioneira do punk rock, vai receber no próximo mês um prêmio da indústria musical pelo conjunto de sua obra e os 40 anos de sua carreira.

Aos 63 anos, a artista receberá o Founders Award durante o jantar anual de premiações da música pop do grupo ASCAP (American Society of Composers Authors and Publishers), que irá homenagear compositores das canções mais tocadas durante o ano de 2009.

Para completar, Smith também vai se apresentar no evento de gala, que acontece no dia 21 de abril, no Renaissance Hotel, em Hollywood. De acordo com o presidente e executivo-chefe do grupo, Paul Williams, a artista ampliou as fronteiras da expressão artística e inspirou diversas gerações de roqueiros pelo mundo.

Ainda, segundo Williams, a cantora, poeta, pintora e ativista política ainda continua sendo uma artista produtiva e vibrante em diferentes mídias.

Apesar de ter entrado para o Hall da Fama do Rock and Roll em 2007 e de receber agora o prêmio que já homenageou artistas como Paul McCartney, Tom Waits e Neil Young, Patti Smith prefere ignorar classificações e rejeitar adjetivos como Madrinha do Punk.