Arquivo da categoria ‘prêmio Emmy Awards’

O SALTO é ALTO, MAS ELES PODEM

Juliana d’Arêde
A disputa é acirrada – talvez a mais concorrida dos últimos anos – e os participantes são todos talentosos, praticamente a nata da televisão americana, ainda que alguns (bons) representantes do meio tenham sido esquecidos. O fato é que a 62ª edição do Emmy Awards – o Oscar da TV nos EUA, que acontece neste domingo (29) – tem uma vasta gama de atrativos para ser uma das melhores premiações do ano e um trunfo: Glee. A comédia musical que chegou de mansinho, quase sem pretensões, hoje é o maior fenômeno televisivo mundial e a protagonista do evento.

Favoritíssima aos principais prêmios, a série criada pelo irreverente e criativo (agora também milionário) Ryan Murphy recebeu 19 indicações.

Discutindo todos os estereótipos dos jovens na sociedade contemporânea, Glee é uma caricatura social dos mais batidos clichês americanos, cujo motivo principal para a performance bem-sucedida do programa é o fato de achar graça de si mesmo. A série é uma grande piada pessoal, que encontra no poder de comunicação das canções o seu pote de ouro. Unindo um elenco quase exclusivamente de estreantes, porém talentosos e consistentes, na televisão – sendo a grande maioria proveniente da Broadway – com diálogos escrachados e humanamente cômicos devido ao alto teor de sarcasmos e ironias, Ryan Murphy revolucionou o gênero, trouxe os musicais para mais perto do público e quebrou todos os paradigmas de maneira natural e bem humorada. Até a primeira-dama dos Estados Unidos se rendeu à série!

Acumulando algumas das principais indicações, como Melhor Série Cômica, Melhor Atriz de Série Cômica (para Lea Michele, a Rachel), Melhor Ator de Série Cômica (Matthew Morrison, o Mr. Shuester), Melhor Atriz Coadjuvante de Série Cômica (Jane Lynch, a Sue Sylvester), Melhor Ator Coadjuvante de Série Cômica (Chris Colfer, o Kurt), Melhor Elenco de Série Cômica e Melhor Direção (Ryan Murphy e Paris Barclay), os gleeks – apelido carinhoso do elenco e também dos fãs da série – representam cada setor da sociedade, apresentando as mais variadas personalidades presentes em nosso dia-a-dia. Temos a talentosa menina do grupo dos “excluídos” que sonha em se tornar uma estrela e não é bem compreendida devido à personalidade forte, as líderes de torcida e os machões do time de futebol – presença garantida no elenco de 90% das produções americanas -, o menino com deficiência física, o homossexual e a gordinha. Isso sem falar no núcleo de professores que também passa pelos mesmo conflitos dos adolescentes, mas com um grau um pouco maior de amadurecimento (ou não). A grande sacada da série é reunir todos esses exemplares singulares num mesmo propósito: o clube do coral. Nele, todos são iguais, apesar de cada um apresentar um estilo próprio. Isso os aproxima e os faz crescer como um grupo e, quem sabe, como seres humanos. Pelo menos o Mr. Shue tenta passar algum ensinamento.

Tudo em Glee é meteórico, assim como foi a sua ascensão. Bem recebida tanto pelo público quanto pela crítica especializada, a série apresenta números significativos para uma estreante, numa época em que a concorrência na TV americana é praticamente uma selva. E a Fox agradece por uma de suas maiores audiências em toda a história da emissora e pelo reconhecimento. Em apenas um ano de exibição, Glee registrou mais de 13 milhões de espectadores e consagrou-se como a melhor série do ano eleita pela Associação de Críticos de TV dos EUA – além de receber também os troféus de Melhor Programa Revelação e Melhor Performance em Comédia para a brilhante Jane Lynch (sua Sue Sylvester é um dos melhores personagens cômicos já criados). Além disso, foi indicada e vencedora nas principais premiações televisivas do ano – pode acrescentar aí um Globo de Ouro de Melhor Série Musical. Para reiterar o caráter onipresente da série, há negociações para a atração estrear nos palcos da Broadway e nos cinemas (alguém tinha dúvidas?).

Sendo um programa musical, não é surpresa que Glee tenha dominado a indústria fonográfica e servido de alavanca para as carreiras de alguns artistas que já haviam sido postos de lado pela mídia. Ao todo, o sucesso de Glee corresponde a três álbuns, sendo dois deles número um das paradas (e Top 3 nas listas britânicas), além de sete singles no Top 40 e quatro milhões de discos vendidos. Se ainda for pouco, é bom lembrar da turnê pelos Estados Unidos com todos (todos mesmo) os ingressos esgotados em pouquíssimo tempo de venda. O repertório variado do programa é escolhido a dedo e proporciona momentos memoráveis e saudosos. O elenco canta de Beatles, Lionel Richie, Queen e Kiss a Lady Gaga, Kelly Clarkson, Aerosmith e Madonna.

Por falar na diva do pop, o episódio especial em tributo a Madonna foi sucesso absoluto e um marco na série. Tanto que para as próximas temporadas (sim, no plural, porque a Fox já renovou Glee para, pelo menos, mais dois anos) Murphy começa a desenvolver outras homenagens, uma delas já confirmada – e gravada – para Britney Spears, com a presença da própria. O episódio feito apenas com músicas de Madonna bateu todos os recordes de audiência da série e da Fox, atingindo a marca aproximada dos 14 milhões de espectadores. Considerado pela própria como “brilhante”, o repertório incluía clássicos como Like A Prayer, Vogue e Like A Virgin com sucessos atuais, como 4 Minutes. É claro que o capítulo gerou um CD, e mais óbvio ainda que ele tenha sido um dos mais vendidos nos EUA. O álbum subiu rapidamente os degraus do Top 100 da Bilboard, logo nas primeiras semanas. George Michael e Prince são os próximos da lista de tributos de Murphy.

Depois de o elenco ter se apresentado na Casa Branca, na Páscoa, de a série ter ganho um programa especial na Oprah e continuar recebendo pedidos de artistas consagrados para uma participação, caso de – acredite se quiser, Sir Paul McCartney, que disse ser fã do seriado e também mandou uma coletânea de suas músicas para Murphy usar na atração -, não é exagero dizer que este é o ano de Glee, que pode ser muito bem selado no Emmy 2010 (e você pode acompanhar a cobertura completa da premiação aqui no LABORATÓRIO POP).

Como nem tudo é perfeito, mesmo no mundo colorido de Glee, é preciso abrir o olho com a sensação de “já ganhou”. Apesar de toda a especulação e favoritismo em torno da série, a pedra no sapato do coral é Modern family, outra comédia estreante igualmente elogiada e premiada. Resta saber se a irreverente família com seus mais variados integrantes pode bater de frente com as vozes e a harmonia dos gleeks. Lembrando que Modern family faturou a categoria de Melhor Elenco de Série Cômica dos Emmys técnicos. A briga é boa. Já no lado dramático da premiação, a tendência é que Mad men vença o prêmio pelo terceiro ano consecutivo, deixando novamente para trás as aclamadas Lost, Breaking bad e True blood. The good wife estreou bem na TV, mas só a protagonista Julianna Margulies deve levar o troféu pela série. A disputa acirrada fica com as indicações de Melhor Ator, Atriz, Ator Coadjuvante e Atriz Coadjuvante de série dramática. Todos os indicados estão em pé de igualdade (à exceção, talvez, e com o perdão dos fãs de Lost, de Matthew Fox, mero figurante na categoria de Melhor Ator). Como sempre, as injustiças não passam batidas e a birra da vez do público é pela ausência de indicações ao trio protagonista da saga mais sexy e vampiresca da TV, formado por Anna Paquin e seu agora marido, Stephen Moyer, além de Alexander Skarsgard. No palco, o elenco de True blood só aparece mesmo para apresentar um dos prêmios. Prepare a pipoca e torça para os seus favoritos no Emmy Awards 2010, neste domingo (29), a partir das 20h, aqui no LABORATÓRIO POP. Confira abaixo a lista de todos os indicados:

Melhor série dramática

Breaking Bad

Lost

Dexter

Mad Men

The Good Wife

True Blood

Melhor ator de drama

Matthew Fox (Lost)

Bryan Cranston (Breaking Bad)

Michael C. Hall (Dexter)

Jon Hamm (Mad Men)

Kyle Chandler (Friday Night Lights)

Hugh Laurie (House)

Melhor atriz de drama

Glenn Close (Damages)

Julianna Margulies (The Good Wife)

Mariska Hargitay (Law & Order: Special Victims Unit)

January Jones (Mad Men)

Kyra Sedgwick (The Closer)

Connie Britton (Friday Night Lights)

Melhor ator coadjuvante de drama

MIchael Emerson (Lost)

Aaron Paul (Breaking Bad)

Terry O’Quinn (Lost)

John Slattery (Mad Men)

Martin Short (Damages)

Andre Braugher (Men of a Certain Age)

Melhor comédia

Curb Your Enthusiasm

Glee

Modern Family

30 Rock

Nurse Jackie

The Office

Melhor ator de comédia

Alec Baldwin (30 Rock)

Steve Carrell (The Office)

Larry David (Curb Your Enthusiasm)

Jim Parsons (The Big Bang Theory)

Tony Shalhoub (Monk)

Matthew Morrison (Glee)

Melhor atriz de comédia

Edie Falco (Nurse Jackie)

Toni Collette (United States of Tara)

Tina Fey (30 Rock)

Amy Poehler (Parks and Recreation)

Lea Michele (Glee)

Julia Louis-Dreyfus (The New Adventures of Old Christine)

Melhor ator coadjuvante de comédia

Chris Colfer (Glee)

Neil Patrick Harris (How I Met Your Mother)

Jesse Tyler Ferguso (Modern Family)

Jon Cryer (Two and A Half Men)

Eric Stonestreet (Modern Family)

Ty Burrell (Modern Family)

Melhor atriz coadjuvante de Drama

Sharon Gless (Burn Notice)

Christine Baranski (The Good Wife)

Christina Hendricks (Mad Men)

Rose Byrne (Damages)

Archie Panjabi (The Good Wife)

Elisabeth Moss (Mad Men)

Melhor atriz coadjuvante de comédia

Jane Lynch (Glee)

Kristen Wiig (Saturday Night Live)

Jane Krakowski (30 Rock)

Julie Bowen (Modern Family)

Sofia Vergara (Modern Family)

Holland Taylor (Two and A Half Men)

Melhor apresentador de reality show

Ryan Seacrest (American Idol)

Phil Keoghan (The Amazing Race)

Tom Bergeron (Dancing with the Stars)

Heidi Klum (Project Runway)

Jeff Probst (Survivor)

Melhor reality show de competição

Project Runway

Top Chef

The Amazing Race

Dancing with the Stars

American Idol

Melhor programa de música, comédia e variedades

The Colbert Report

The Daily Show With Jon Stewart

Real Time With Bill Maher

Saturday Night Live

The Tonight Show With Conan O’Brien

Melhor minissérie

The Pacific (HBO)

Return to Cranford (PBS)

Melhor filme para a TV

Endgame (PBS)

Georgia O’Keeffe (Lifetime)

Moonshot (History)

The Special Relationship (HBO)

Temple Grandin (HBO)

You Don’t Know Jack (HBO)

Fonte:Laboratorio Pop

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